O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou nesta sexta-feira, 8, a indicação de afastamento de cinco deputados por até seis meses devido à participação em um tumulto que paralisou as atividades do plenário. A decisão, tomada pela Mesa Diretora, atinge Marcos Pollon (PL-MS), Zé Trovão (PL-SC), Júlia Zanatta (PL-SC), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Camila Jara (PT-MS), todos envolvidos em um protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. O motim, que incluiu a ocupação da Mesa Diretora, foi considerado uma afronta ao regimento interno e à ordem democrática.
A medida, que ainda precisa ser analisada pelo Conselho de Ética, foi motivada pela obstrução das sessões plenárias entre terça (5) e quarta-feira (6), quando deputados bolsonaristas usaram correntes, faixas e gritos para impedir o funcionamento da Casa. Segundo Motta, a ação dos parlamentares comprometeu o regular exercício do Poder Legislativo, justificando a punição cautelar. A proposta de suspensão recebeu apoio de líderes de diversos partidos, que classificaram o ato como um “precedente perigoso” para o Estado Democrático de Direito.
A decisão de Motta marca um esforço para restabelecer a autoridade da Mesa Diretora e evitar novos episódios de desordem no Congresso. Apesar da resistência inicial dos deputados envolvidos, que exigiam a votação de um projeto de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, as negociações conduzidas pelo presidente da Câmara resultaram na retomada das sessões na quarta-feira. O caso agora segue para o Conselho de Ética, que decidirá pela manutenção ou alteração da punição proposta, enquanto o episódio reforça o clima de tensão política no Legislativo.
Fonte: O Estadão