O Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região(SMetal), em São Paulo, manifestou repúdio nesta semana à decisão do governo federal de zerar o imposto de importação para autopeças sem fabricação nacional. A medida foi publicada pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Camex) na última segunda-feira, 28.
Segundo o SMetal, ela coloca em risco empregos importantes e estratégicos na região compreendida pelo sindicato, principalmente em Sorocaba, onde fica a maior planta da Toyota no mundo na produção de veículos híbridos.
“Nossa região se destaca pelo papel inovador que desempenha na mobilidade limpa. Uma política que favorece a importação, em vez da valorização da produção nacional, prejudica o desenvolvimento tecnológico brasileiro e ameaça empregos qualificados que são fruto de anos de avanço industrial”, pontuou o presidente do SMetal, Leandro Soares.
Ainda de acordo com o sindicato, a decisão do governo pode abrir precedentes que reduzem o valor agregado da produção brasileira e afetam os trabalhadores do setor automotivo.
Na prática, afirma a entidade, a decisão “beneficia diretamente montadoras estrangeiras, em especial empresas chinesas que operam no modelo de trazer veículos desmontados ao Brasil para finalizá-los aqui”
Esse formato de montagem, acrescenta, “reduz a complexidade industrial no país, enfraquece a cadeia produtiva nacional e ameaça empregos em todo o setor. Trata-se de uma abertura comercial que coloca em desvantagem fábricas que, como a de Sorocaba, mantêm operações completas e com alto valor agregado”.
O SMetal relembra ainda que, em março deste ano, a Toyota anunciou um investimento de 11,5 bilhões de reais no Brasil até 2030 e diz que a sinalização de abertura para veículos estrangeiros desmontados vai na contramão desse esforço, causando insegurança para quem investe na produção local e no desenvolvimento tecnológico do país.
Sorocaba, hoje, orgulha-se de contribuir com uma indústria automotiva moderna, inovadora e voltada para o futuro da mobilidade. Essa conquista coletiva precisa ser reconhecida e protegida por políticas industriais consistentes”, prossegue a nota.
“Reiteramos nosso compromisso com o projeto de reconstrução nacional liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem historicamente priorizado o trabalho, a indústria e a soberania produtiva. No entanto, não abriremos mão de nossa missão maior: a defesa incondicional dos empregos e dos direitos da classe trabalhadora”.
Fonte: O Antagonista