Com as eleições de 2026 se aproximando, o Partido dos Trabalhadores (PT) lançou uma nova estratégia para atrair o eleitorado evangélico, que representa cerca de 26,9% da população brasileira, segundo o IBGE. Em um curso online intitulado “Fé e Democracia”, promovido pela Fundação Perseu Abramo, o partido busca capacitar sua militância para dialogar com a comunidade evangélica, um grupo historicamente resistente às pautas progressistas. Contudo, a iniciativa, que teve apenas 775 inscritos, apesar dos 2,9 milhões de filiados do PT, tem gerado controvérsia devido à escolha de preletores considerados polêmicos, como uma teóloga feminista que se identifica como devota de Krishna e um pastor que causou indignação ao sugerir que Jesus teria traído Judas.
A escolha de nomes como Angelica Tostes, que mistura referências bíblicas com defesa do marxismo e do hinduísmo, e Valdinei Ferreira, demitido de uma faculdade presbiteriana por suas declarações controversas, reflete a tentativa do PT de se aproximar de uma minoria progressista dentro do meio evangélico. Outro preletor, o pastor Luis Sabanay, autoproclamado “socialista”, é figura central na articulação da “Cartilha Evangélica” do PT, lançada em 2024 para orientar candidatos sobre como abordar esse público. Apesar dos esforços, a baixa adesão ao curso e a rejeição de parte do eleitorado evangélico, que associa o partido a pautas contrárias aos seus valores, como o relativismo moral, indicam que o PT enfrenta dificuldades para superar a barreira cultural e ideológica que o separa desse segmento.
Críticos apontam que a estratégia do PT revela um certo desespero para reconquistar um eleitorado que, desde 2018, tem se alinhado majoritariamente a candidaturas conservadoras, como as apoiadas por Jair Bolsonaro. A resistência dos evangélicos, segundo analistas, está enraizada em sua fidelidade a princípios bíblicos que contrastam com o progressismo estatal defendido pelo partido. A comparação com a figura bíblica de Balaão, citada em um artigo de Gabriel Sestrem na Gazeta do Povo, sugere que o PT, ao tentar “seduzir” os evangélicos com discursos adaptados, pode estar subestimando a capacidade desse público de discernir intenções políticas. Enquanto o partido insiste em iniciativas como o curso “Fé e Democracia”, o impacto eleitoral permanece incerto, e a desconfiança mútua entre o PT e os evangélicos continua sendo um obstáculo significativo.
Fonte: Gazeta do Povo