O tabuleiro político do Rio Grande do Norte para as eleições de 2026 está parado, com os principais jogadores aguardando o movimento do adversário. Enquanto nomes como Álvaro Dias, Allyson Bezerra, Rogério Marinho e Fátima Bezerra se posicionam, o cenário permanece incerto, com estratégias sendo traçadas nos bastidores.
Álvaro Dias, o estrategista
Álvaro Dias, ex-prefeito de Natal, demonstra habilidade no xadrez político. Em 2024, enfrentou dificuldades mas conseguiu emplacar sua vice na chapa de Paulinho Freire, Joana Guerra, e conseguiu se manter relevante. Para 2026, Álvaro sonha com o Senado ou o governo do estado. Não faz distinção entre os cargos, desde que volte a ter poder de decisão. Sua capacidade de esperar o momento certo o coloca como uma peça imprevisível no jogo.
Allyson Bezerra, o centralizador de Mossoró
Em Mossoró, Allyson Bezerra reina com quase 80% dos votos na última eleição, mas sua desconfiança é um obstáculo. Centralizador, ele hesita em deixar a prefeitura para disputar o governo, especialmente com a possibilidade de continuar influenciando a cidade por meio de seu primo, Marcos Medeiros, atual vice. Sua situação partidária também é incerta: o União Brasil pode se fundir com o PP, e decisões nacionais, lideradas por Ciro Nogueira (PP) e alinhadas a Jair Bolsonaro, podem limitar sua autonomia. João Maia, presidente do PP no RN, é conciliador, mas Allyson teme perder o controle.
Rogério Marinho, o pragmático
Senador e aliado de Bolsonaro, Rogério Marinho joga com cautela, sempre buscando vantagem. Ele considera a disputa ao governo do RN, mas também é cotado como vice em uma chapa presidencial de direita, caso Bolsonaro permaneça inelegível. Nomes como Tarcísio, Caiado ou Michelle Bolsonaro são especulados, mas Rogério é visto como uma escolha confiável por Bolsonaro e Waldemar da Costa Neto (PL). Se optar pelo governo, pode empurrar Álvaro Dias ao Senado, deixando outros pré-candidatos da direita, como Coronel Hélio e Godeiro, em segundo plano. Rogério sabe que precisa se fortalecer para a eleição ao Senado em 2030, que terá apenas uma vaga.
Cenário para o Senado
No Senado, a direita aposta na reeleição de Styvenson Valentim, que, após anos de independência, adotou o pragmatismo sob influência de Rogério Marinho. Apesar de seu bom desempenho nas pesquisas, enfrenta concorrência. Coronel Hélio, do PL, sonha com uma vaga, mas depende de apoio de Bolsonaro e de um cenário favorável. Godeiro, genro do deputado General Girão, também almeja o Senado, mas sua pré-candidatura é frágil. Pela esquerda, Fátima Bezerra (PT) e Zenaide Maia (PSD) são nomes praticamente certos. Correndo por fora, Shirley Targino, esposa de João Maia, surge como opção forte, apoiada pelo PP, com base sólida de prefeitos e sem necessidade de desincompatibilização.
Fátima e a esquerda sem rumo
Na esquerda, o cenário para o governo é desolador. Com 70% de desaprovação, Fátima Bezerra não conseguiu viabilizar um sucessor competitivo. O nome de Cadu, do secretariado, aparece como placeholder, mas não empolga. A indefinição reflete a dificuldade de defender um governo desgastado.
As eleições de 2026 no RN prometem um jogo de paciência e estratégia. Álvaro Dias aguarda o momento de atacar, Allyson Bezerra pesa os riscos de sair de sua zona de conforto, Rogério Marinho calcula cada passo com frieza, e Fátima enfrenta a falta de opções viáveis. Enquanto as peças não se movem, o eleitor potiguar espera para ver quem dará o primeiro xeque.
Por Júnior Melo