O Brasil sofreu um apagão, na última terça-feira (15), que afetou todos os estados, exceto Roraima, e durou seis horas, prejudicando um terço dos consumidores. A causa do apagão foi uma sobrecarga no sistema elétrico provocada por uma produção recorde de energia eólica e solar no Nordeste, que superou a demanda da região e foi exportada para o Sudeste e o Centro-Oeste, onde está a maior parte do consumo do país.
Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a exportação de energia do Nordeste chegou a 10 mil megawatts médios na segunda-feira, antes do apagão. Essa energia é proveniente principalmente das fontes eólica e solar, que são intermitentes e não podem ser armazenadas. Essas fontes têm crescido muito no Nordeste, por conta das condições favoráveis de vento e sol na região.
A exportação de energia do Nordeste tem sido uma forma de poupar os reservatórios das hidrelétricas do Centro-Sul, que estão em baixa por conta da seca. As usinas hidrelétricas com maiores reservatórios estão no Sudeste e no Centro-Oeste e são consideradas mais firmes.
Desequilíbrio do sistema
No entanto, essa exportação de energia causou um desequilíbrio no sistema elétrico nacional, que se separou em duas partes: o Norte/Nordeste e o Sul/Sudeste/Centro-Oeste. Isso ocorreu por conta de um problema em um equipamento no Ceará, que ainda está sendo investigado pelo ONS.
Para evitar um novo apagão e aliviar a pressão sobre o sistema, o ONS cortou à metade a exportação de energia do Nordeste, que caiu para cerca de 5 mil megawatts médios. Além disso, aumentou a geração própria do sistema Sudeste/Centro-Oeste, que subiu de 32 mil megawatts para 37 mil megawatts, compensando a redução no Nordeste. A maior parte dessa geração maior vem de energia hidrelétrica.