Um dos sintomas persistentes da Covid-19 mais relatados é o “nevoeiro mental”, relacionado aos problemas com funções e habilidades cognitivas tais como se concentrar e relembrar memórias. Em curto prazo, pode prejudicar a capacidade das pessoas de realizar suas tarefas diárias, como as atividades profissionais e o cuidado com os filhos, além de afetar a qualidade de vida.
Já a longo prazo, essas dificuldades cognitivas podem evoluir e se tornar condições mais graves, como demência, incluindo o desenvolvimento da doença de Alzheimer. Estudos recentes comprovam que, de fato, a Covid-19 está relacionada ao aumento do risco de diagnóstico de demência.
Exatamente por isso, é de suma importância que se dê atenção a esses eventos de nevoeiro mental, compreendendo sua origem, magnitude, frequência e duração. “Eu e meus colegas procuramos entender se a infecção por Covid-19 e a duração dos seus sintomas afetaram o desempenho dos pacientes em testes cognitivos e como se alterou ao longo do tempo”, disse Nathan Cheetham, cientista de dados, pós-doutorado do Departamento de Pesquisas com Gêmeos e Epidemiologia Genética do King’s College, de Londres e autor de um estudo recente sobre o assunto, publicado no The Lancet, que identificou efeitos na função cerebral até dois anos após a infecção.
Para testar as funções cognitivas, os pesquisadores utilizaram dados do Biobanco de Estudo de Sintomas da Covid, no Reino Unido, e convidaram mais de 8 mil pessoas, com e sem histórico de infecções pelo SARS-CoV2, que apresentaram diversos sintomas de curto e de longo prazo, a realizar uma série de 12 tarefas online para “treinamento do cérebro”.
Foram duas rodadas de testes. A primeira em julho de 2021, com mais de 3,3 mil pessoas e a segunda em abril de 2022, com outros 2,4 mil participantes, além de 1,7 mil que já haviam realizado o primeiro teste. O objetivo era avaliar uma série de elementos das funções cerebrais, incluindo memória visual, atenção, raciocínio verbal e controle motor. As tarefas iam de relembrar palavras e formas até repetir sequências de números que apareciam em uma tela. “Nós registramos o nível de acerto dos participantes ao realizarem as tarefas e seus tempos de resposta”, disse Cheetham.
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