O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) decidiu afastar da 1ª Vara Federal de Florianópolis a juíza Janaina Cassol, que ficou conhecida ao determinar a prisão do ex-reitor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) Luís Carlos Cancellier de Olivo em 2017. O professor cometeu suicídio poucos dias depois da decisão.
CNJ afastou juíza cautelarmente e decidiu abrir processo administrativo disciplinar contra ela por uma prisão irregular em uma operação da PF de abril do ano passado, que investigava tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Cassol não expediu todos os documentos para a prisão, concluiu o CNJ. “A aparente falta de reflexão mais ponderada da reclamada acabou por causar enorme transtorno, com necessidade de movimentação de diversas esferas do Poder Judiciário. Acima de tudo, e o mais relevante, a custodiada ficou presa desnecessariamente por aproximados dez dias, mesmo já liberada por ordem judicial”, disse o corregedor nacional de Justiça Luis Felipe Salomão.
CNJ chegou a abrir um processo contra a juíza por supostas irregularidades na operação que levou à prisão de Cancellier, mas ele foi arquivado pelo então corregedor, João Otávio de Noronha.
Ex-reitor cometeu suicídio aos 59 anos, dezoito dias após a prisão. Em bilhete encontrado com ele, o professor escreveu que sua morte “foi decretada quando foi banido da universidade”.
Na época, 115 policiais foram mobilizados para prender Cancellier e outros seis professores da UFSC. Eles eram suspeitos de desviar R$ 80 milhões em um programa de ensino a distância que aconteceu entre 2005 e 2015. Em julho deste ano, o TCU (Tribunal de Contas da União) concluiu que não houve irregularidades.