Dólar pode chegar a R$ 5,60 após reeleição de Lula

O dólar pode avançar para R$ 5,60 nos próximos meses após a reeleição de Lula (PT). As projeções de instituições financeiras divergem sobre o comportamento da moeda americana, em meio às dúvidas sobre a política fiscal e a condução econômica do novo governo.

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Enquanto Morgan Stanley e Goldman Sachs trabalham com cenários em que a cotação chega a R$ 5,60, o JPMorgan estima que a moeda pode alcançar R$ 5,50 no curto prazo. Na direção oposta, o Wells Fargo avalia que a reação inicial do mercado pode ter exagerado os riscos e projeta uma acomodação do câmbio na faixa de R$ 5,30.

A volatilidade aumentou após o resultado eleitoral, que levou investidores a buscar proteção em ativos considerados mais seguros. A pressão sobre o real reflete a cautela do mercado diante das perspectivas para as contas públicas, a dívida e as primeiras decisões econômicas do governo.

Wells Fargo aposta em recuo do dólar

O estrategista de mercados emergentes do Wells Fargo, Álvaro Vivanco, considera que a reação inicial dos investidores foi excessivamente negativa. Segundo informações citadas pelo Estadão, o banco ampliou sua posição vendida em dólar contra o real, apostando na valorização da moeda brasileira nos próximos meses.

A avaliação considera a possibilidade de o governo apresentar um ajuste fiscal capaz de recuperar parte da confiança do mercado. A escolha de um ministro da Fazenda bem recebido pelos investidores também poderia reduzir os prêmios de risco dos ativos brasileiros.

Nesse cenário, Vivanco projeta o dólar próximo de R$ 5,30, patamar que considera compatível com o preço justo do câmbio após a reeleição de Lula.

Bancos veem risco de alta até R$ 5,60

O JPMorgan adota uma perspectiva mais cautelosa. A instituição estima que o dólar pode atingir R$ 5,50 nos dias seguintes à eleição caso os investidores revisem as expectativas para a política fiscal e o cenário econômico brasileiro.

O Morgan Stanley prevê uma cotação de até R$ 5,60 se houver deterioração das expectativas fiscais e aumento das incertezas sobre a condução da economia. Nesse cenário, o aumento da percepção de risco também pressionaria os juros e a Bolsa brasileira.

O Goldman Sachs considera uma possibilidade semelhante. O banco avalia que o dólar pode subir cerca de 12%, chegando à faixa de R$ 5,60, caso o mercado conclua que a política fiscal não será compatível com a estabilização da dívida pública.

Política fiscal será decisiva

A trajetória do câmbio dependerá dos sinais emitidos pelo novo governo. A composição da equipe econômica, as primeiras medidas fiscais e a condução da dívida pública estarão entre os fatores observados pelos investidores.

Uma melhora na percepção sobre as contas públicas pode favorecer a valorização do real e aproximar o dólar de R$ 5,30. Já o aumento das incertezas fiscais pode pressionar a moeda americana para a faixa de R$ 5,50 a R$ 5,60, segundo as projeções citadas.

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