O nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Lula (PT) no segundo turno presidencial de domingo (25), teria aparecido na lista de passageiros de um jato executivo que permaneceu no aeroporto de Puerto Iguazú, na Argentina. A informação foi relatada nesta terça-feira (27) pelo piloto Mauro Mattosinho, que afirmou ter recebido o dado de um funcionário do terminal aeroportuário. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.
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Segundo Mattosinho, a aeronave aguardava quatro passageiros e não havia decolado até o início da manhã. O piloto disse que a partida estava inicialmente prevista para as 2h, mas o avião continuava no aeroporto às 7h.
O funcionário, que não quis ser identificado, teria informado que o campo destinado aos documentos de identificação de Flávio estava em branco. Ainda de acordo com o relato transmitido ao piloto, três passageiros já haviam se apresentado por volta de 1h30, mas problemas com a documentação teriam impedido a decolagem.
Não há confirmação de que Flávio tenha chegado ao aeroporto argentino ou embarcado no jato. A Direção Nacional de Migrações da Argentina afirmou que não encontrou registro de entrada do senador no país. No Brasil, a Polícia Federal (PF) realiza verificações para esclarecer se ele deixou o território nacional.
Jato saiu de Buenos Aires
A aeronave citada é um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, operado pela empresa argentina Baires Fly S.A. O avião saiu de Buenos Aires na noite de segunda-feira (26) e pousou em Puerto Iguazú antes da meia-noite, segundo informações divulgadas pelo portal argentino Infobae.
O aeroporto fica a cerca de 22 quilômetros da fronteira brasileira, nas proximidades de Foz do Iguaçu (PR). O deslocamento entre os dois municípios pode ser feito em aproximadamente meia hora de carro, sem considerar o tempo necessário para os procedimentos migratórios e aduaneiros.
A informação sobre a suposta viagem ganhou repercussão após a publicação do Infobae, que noticiou a possibilidade de Flávio ter cruzado a fronteira com destino aos Estados Unidos. Até o momento, porém, não há confirmação de que o senador tenha ingressado na Argentina ou de que o voo internacional tenha sido realizado.
PF verifica possível saída do país
A Polícia Federal verifica registros de passagem nas fronteiras e movimentações aéreas para apurar se Flávio deixou o Brasil. Segundo informações divulgadas nesta terça-feira, as consultas realizadas até então não identificaram uma saída oficial do parlamentar pela fronteira regular com a Argentina.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na segunda-feira (26) o cancelamento dos passaportes do senador e proibiu sua saída do país. A medida foi anunciada um dia após a derrota eleitoral de Flávio para Lula.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio, negou que o parlamentar tenha deixado o Brasil. Até o momento, não há confirmação independente de seu embarque na aeronave citada.
Mauro Mattosinho já prestou informações à Polícia Federal sobre o uso de jatos executivos por empresários e políticos. O piloto trabalhou na empresa de táxi aéreo TAP, que transportava empresários investigados na Operação Carbono Oculto, deflagrada para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro e fraudes no setor de combustíveis, em investigação que também apura possíveis ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
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