O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) publicou um vídeo em inglês no qual acusa a eleição presidencial vencida por Lula (PT) de ter sido fraudada e pede pressão internacional para impedir o reconhecimento do resultado. Na gravação, ele não apresenta provas para sustentar as acusações.
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Eduardo pede que estrangeiros compartilhem o vídeo e apoiem a anulação do pleito. “Esta é uma mensagem para vocês: não reconheçam estas eleições, porque ainda mais fatos estão surgindo agora”, diz.
Em seguida, o ex-deputado reforça o pedido de cancelamento da eleição e mobilização internacional. “Como Flávio disse, precisamos cancelar esta eleição. Ela foi claramente fraudulenta. Mas precisamos de pressão internacional. Precisamos que vocês compartilhem este vídeo”, afirma.
A publicação ocorre depois de Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno, anunciar que pretende recorrer à Justiça para tentar anular o resultado. Os dois questionam a diferença entre os turnos e a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que ampliou o horário de votação em duas horas.
Eduardo questiona virada de Lula
No primeiro turno, Flávio terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. No segundo, o petista venceu com 51,74%, ante 48,26% do senador, segundo os números divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Eduardo usa pesquisas eleitorais e a soma dos votos recebidos pelos candidatos derrotados no primeiro turno para questionar o crescimento da votação de Lula. Ele afirma que o avanço seria “estatisticamente impossível”, mas não apresenta evidências que comprovem fraude.
Flávio também criticou a ampliação do horário de votação e afirmou que a medida teria alterado as regras durante a disputa. A campanha do senador, porém, havia solicitado ao TSE a extensão do horário em municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina.
O senador ainda alegou que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre do TSE durante a apuração. O tribunal negou a afirmação e informou que os fiscais do partido acompanharam a totalização dos votos em uma área destinada à fiscalização.
TSE e PGR defendem processo eleitoral
Após a divulgação do resultado, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, declarou ter “absoluta segurança de todo o processo eleitoral”.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, também defendeu a legitimidade do processo e afirmou que o Ministério Público atuou para fiscalizar a eleição, combater irregularidades e assegurar o respeito à vontade dos eleitores.
“A democracia se fortalece quando as regras são cumpridas e cada pessoa pode exercer seu direito de escolha de forma livre. O respeito à vontade manifestada nas urnas fortalece as instituições democráticas e garante legitimidade à representação política”, afirmou Gonet.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), declarou que “não há o que se contestar” e que a vitória “foi da democracia”.
O TSE afirma que nunca houve fraude comprovada nas urnas eletrônicas brasileiras, utilizadas desde 1996. Ao fim da votação, cada equipamento imprime um boletim com os votos registrados na seção eleitoral. Os dados também são disponibilizados na internet e podem ser comparados com os resultados oficiais.
Ex-deputado já havia questionado urnas
Dois dias antes do segundo turno, Eduardo questionou o sistema eleitoral brasileiro durante participação no podcast americano Louder with Crowder, apresentado pelo comentarista Steven Crowder. Na entrevista, afirmou que seria possível fraudar as urnas, mas não apresentou provas.
“O problema é que nós não usamos papel, não há contagem pública dos votos, e você precisa confiar na máquina. Nós usamos máquinas e é isso. Esse é o problema”, afirmou.
Na mesma ocasião, Eduardo defendeu que o irmão deixasse o Brasil caso fosse derrotado na eleição presidencial.
Eduardo foi condenado pelo STF
Eduardo vive nos Estados Unidos desde 2025. Em dezembro daquele ano, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados declarou a perda de seu mandato por excesso de faltas às sessões.
Em junho de 2026, a Primeira Turma do STF o condenou por unanimidade a quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo. Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República aceita pelo Supremo, ele atuou junto ao governo americano para promover medidas contra o Brasil com o objetivo de interferir no julgamento de seu pai, Jair Bolsonaro, no processo sobre a trama golpista.
A condenação tornou-se definitiva em 3 de outubro. Na sequência, o ministro Alexandre de Moraes determinou o início do cumprimento da pena, expediu mandado de prisão e ordenou o cancelamento dos passaportes brasileiros de Eduardo.
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