O dólar comercial abriu em alta de 8,65% hoje (26), cotado a R$ 5,42, após a vitória de Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno presidencial. A reação levou à interrupção das negociações no mercado de câmbio. Na Bolsa, o índice futuro do Ibovespa recuou 15%, atingiu o limite de baixa e também teve as operações suspensas.
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A B3 ampliou excepcionalmente de 10% para 15% o limite de oscilação negativa do índice futuro para esta segunda-feira, diante da expectativa de forte volatilidade. No mercado à vista, a regra prevê a interrupção das negociações quando o Ibovespa registra variação de 10% ou mais. Se, após a retomada, a oscilação atingir 15%, os negócios são suspensos novamente por uma hora.
A disparada do dólar e a queda das ações refletem a reação dos investidores ao resultado eleitoral. Parte do mercado estava posicionada para uma vitória de Flávio, diante da expectativa de maior controle dos gastos públicos e de mudanças na condução da política econômica.
Ativos brasileiros caem também no exterior
A pressão sobre os ativos brasileiros se estendeu aos mercados internacionais. Um fundo negociado em Nova York que acompanha ações brasileiras recuou 27% no pré-mercado. No Japão, um ETF de ações do Brasil caiu 15%, registrando sua maior perda diária desde 2008, segundo os dados citados pela Bloomberg.
Nos Estados Unidos, ações da XP e do Itaú Unibanco chegaram a recuar pelo menos 26% no início das negociações. Os papéis do Santander e da Telefônica também registraram perdas superiores a 5%.
Na sexta-feira (23), antes do segundo turno, o dólar havia fechado a R$ 4,99. A corretora Monte Bravo projetava que o Ibovespa poderia cair mais de 10% na primeira hora de negociação caso Lula vencesse.
Uma pesquisa do Citigroup com 73 investidores, divulgada na sexta-feira, indicou que a maioria esperava uma desvalorização de pelo menos 5% do real e uma alta superior a um ponto percentual nas taxas de juros futuros em caso de derrota de Flávio.
Mercado cobra sinais sobre política fiscal
A reação dos investidores deve depender, nos próximos meses, das decisões econômicas do governo eleito, sobretudo das medidas para controlar as contas públicas e das escolhas para os ministérios.
Relatório do Goldman Sachs, assinado pelos economistas Alberto Ramos e Panteleymon Semka, destaca que Lula terá de governar com um Congresso de maioria conservadora e capital político limitado. Para os analistas, as declarações sobre a política econômica, a escolha do ministro da Fazenda e a estratégia fiscal para os próximos quatro anos serão determinantes para o comportamento dos ativos.
Os economistas também apontam a necessidade de divulgar estimativas detalhadas e transparentes do custo fiscal das promessas de campanha e dos ajustes previstos para o Orçamento de 2027.
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, afirmou em relatório que o mercado deve acompanhar a organização do governo para o próximo ano e o avanço das propostas econômicas. Ele lembrou que, após a eleição de 2022, o pessimismo inicial diminuiu com a aprovação do novo arcabouço fiscal.
A vitória de Flávio no primeiro turno havia impulsionado os ativos brasileiros e atraído recursos estrangeiros, diante da expectativa de maior rigor fiscal e de possíveis cortes de juros no futuro. Com o resultado do segundo turno, investidores passaram a rever suas posições e as perspectivas para a economia brasileira.
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