Flávio reúne 28,5 mil na Paulista, ataca Lula e Moraes

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) reuniu 28,5 mil pessoas na Avenida Paulista, em São Paulo, nesta segunda-feira (7), durante manifestação organizada para o feriado de 7 de Setembro. O número foi estimado pelo Monitor do Debate Político da USP/Cebrap em parceria com a organização More in Common. A estimativa considera o pico do ato, às 16h32, e aponta margem de erro de 12%, com público entre 25,1 mil e 32 mil pessoas.

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O ato teve como principais alvos o presidente Lula (PT) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Com faixas de “Fora Lula, Fora Moraes”, Flávio adotou um discurso de forte oposição ao governo e à atuação do Judiciário.

Logo no início de sua fala, o candidato associou Lula a Moraes e afirmou que pretende mudar a composição do STF caso seja eleito. “Consórcio Lula Moraes vai acabar”, declarou. Em outro momento, afirmou: “Quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes”.

Flávio também voltou a defender o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que ganhou apoio de integrantes da direita após retirar o sigilo de informações relacionadas às investigações do caso Banco Master.

Ao tratar da Corte, Flávio afirmou que o STF precisa ser preservado da atuação de Moraes. “Nós temos que proteger o STF de Alexandre de Moraes, aquela laranja podre. O Supremo não é Alexandre de Moraes. A magistratura não é Alexandre de Moraes”, disse.

Críticas a Lula e Lulinha

O candidato também direcionou ataques ao governo Lula ao mencionar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Flávio questionou quem financiaria o padrão de vida do filho do presidente durante sua permanência na Espanha.

“Lula colocou o seu amigo para ser chefe da Polícia Federal, para perseguir Bolsonaro, os seus aliados e para proteger o Lulinha que está lá na Espanha morando do lado do Vini Júnior, num lugar caro, tomando vinho caro, comendo comida boa. Quem tá bancando o Lulinha é o dinheiro do aposentado do INSS”, afirmou.

A declaração foi feita no contexto das críticas de Flávio à atuação do governo federal e à condução de investigações envolvendo o filho do presidente.

“Farsa” do 8 de Janeiro

Flávio também retomou a defesa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo Supremo Tribunal Federal por participação na trama golpista. Ao relembrar o atentado sofrido por Bolsonaro durante a campanha de 2018, o senador classificou os acontecimentos de 8 de Janeiro como uma “segunda facada” contra o ex-presidente.

“Deram uma segunda facada em Bolsonaro. Essa farsa que foi 8 de janeiro. Essa farsa que condenaram um homem correto, um homem honesto, um homem que tem Deus no coração, por crimes que ele não cometeu. Foi a segunda facada”, afirmou.

Flávio também disse que está fazendo campanha usando colete à prova de balas e afirmou que pretende manter a ofensiva política mesmo diante das ameaças.

“Por providência divina, a missão que Bolsonaro passou para o filho primogênito, eu estou encarando mesmo que a minha vida esteja em risco e fazendo campanha com colete à prova de bala porque sei do que a esquerda é capaz. Eu faço campanha com colete à prova de bala porque sei que o povo brasileiro é o colete do Brasil, que defende nossa democracia. Vão tentar uma terceira facada, não só em mim, mas nos meus aliados, eu estou avisando.”

Segurança pública como bandeira

O presidenciável também apresentou propostas para a segurança pública. Disse que pretende declarar guerra ao crime organizado, classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas e reduzir a maioridade penal.

“A partir de janeiro do ano que vem, vou declarar guerra aos narcoterroristas. PCC e Comando Vermelho vão ser declarados terroristas. Eles estarão presos ou neutralizados pela polícia”, afirmou.

Flávio também defendeu a castração química para abusadores de mulheres e aumento da pena para autores de roubos de celulares.

Na saúde, prometeu transformar o atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS). “A saúde pública vai ser padrão Einstein. O nosso SUS vai ser padrão Einstein com nosso ministro”, declarou.

Tarcísio cobra respeito à Constituição

O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), participou do ato e pediu votos para Flávio e para candidatos da direita ao Senado.

Em discurso, Tarcísio defendeu que nenhuma autoridade esteja acima da Constituição.

“Absolutamente ninguém está acima da Constituição. Senador nenhum está acima da Constituição. Magistrado nenhum está acima da Constituição. Ministro nenhum está acima da Constituição. Governador nenhum está acima da Constituição. O presidente da República não está acima da Constituição. Ninguém está acima da lei.”

Tarcísio também cobrou uma resposta institucional diante das recentes revelações envolvendo Moraes e afirmou que o Senado não pode permanecer omisso diante da crise no STF.

Aliados reforçam ataques

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, associou diretamente a eleição presidencial à situação de Jair Bolsonaro. “Só tem um jeito. O Jair Bolsonaro vai ficar preso mais 10 anos se o Flávio não for eleito. Se o Flávio for eleito, Bolsonaro estará com a gente no dia seguinte. Estamos juntos para a vitória”, afirmou.

O deputado Guilherme Derrite (PP-SP), candidato ao Senado, concentrou o discurso no combate ao crime organizado.

“Quero declarar a independência do Brasil a partir de 2027 contra o crime organizado no Brasil. Ou os criminosos mudam de país, ou serão presos ou neutralizados no Brasil. Ninguém aguenta mais”, disse.

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) também atacou Moraes e associou a eleição presidencial à futura composição do Supremo.

“Fora, Moraes. Escute, Alexandre de Moraes, vamos tirar seu sorriso debochado. Ano que vem não vai ser Lula que vai indicar quatro ministros do STF, vai ser Flávio Bolsonaro. Flávio é o único candidato capaz de tirar o PT.”

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), também esteve no palco e pediu votos para Flávio, Tarcísio, Derrite e André do Prado (PL).

Público menor que em atos anteriores

Apesar da mobilização, o público estimado ficou abaixo dos registros de manifestações anteriores realizadas na Paulista no 7 de Setembro. Em 2025, o Monitor calculou 42,2 mil participantes. Em 2024, foram 45,4 mil. Em 2022, a estimativa para São Paulo foi de 32,7 mil pessoas.

A metodologia utiliza fotografias aéreas e software de inteligência artificial para identificar e contabilizar os participantes. Segundo o levantamento, 12 imagens feitas às 16h32 foram usadas para calcular o público no momento de maior concentração.

A manifestação também foi marcada por um confronto entre grupos de apoiadores de Flávio e manifestantes de esquerda. A Polícia Militar utilizou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar o grupo contrário ao ato. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, os agentes intervieram para evitar um confronto entre os dois grupos.



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