Moraes diz que Mendonça queria afastar Andrei e Gonet

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes afirmou, com base no “relatório de inteligência” clandestino e apócrifo da Polícia Federal (PF), que André Mendonça teria “ameaçado” afastar das funções tanto o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, quanto o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

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Segundo Moraes, Mendonça ameaçou o “afastamento cautelar” de Andrei “das funções” e afastar Gonet “ameaçando transformar o titular da ação penal em testemunha, uma vez que ‘a proximidade com o Ministro Gilmar Mendes o tornaria indigno de confiança’”. Essas acusações do magistrado foram usadas para pedir uma investigação contra o colega no âmbito do inquérito ilegal das fake news.

O ministro afirma, com base no relatório clandestino, que, em reuniões com agentes da PF, Mendonça “afirmou reiteradamente” que Andrei “mantém proximidade inadequada com o Presidente da República e que, por essa razão, não seria possível confiar nele. Até o momento não apontou fato concreto que denote atuação irregular”.

“Na última reunião presencial, afirmou dispor de procedimento instaurado no bojo do qual se avalia eventual determinação de afastamento do Diretor-Geral”.

Já sobre Gonet, Moraes alega que Mendonça faz, internamente, uma “imputação de idêntica estrutura”: “a proximidade com o Ministro Gilmar Mendes o tornaria indigno de confiança, com manifestação de que provavelmente o arrolará, ao menos como testemunha, em processos derivados das operações”:

“Quanto ao arrolamento do Procurador-Geral da República. O Procurador-Geral da República é o titular constitucional da ação penal nos feitos de competência originária do Supremo Tribunal Federal (art. 129, I, da Constituição). Seu arrolamento como testemunha produziria incompatibilidade com o exercício dessa titularidade nos mesmos autos. Independentemente da finalidade, o efeito objetivo seria o deslocamento do titular da acusação nos feitos derivados– consequência estrutural que deve ser registrada”.

O que o ministro e seu relatório clandestino não dizem é que tanto Gonet quanto Andrei são citados em mensagens de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sentindo “saudades”, no caso de Gonet, ou recebendo benefícios, no caso de Andrei, entre outras coisas.



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