Ronaldo Édison Richard, réu em uma ação penal relacionada aos atos de 8 de janeiro de 2023, morreu aos 63 anos em Santa Rosa (RS). O óbito ocorreu em 10 de agosto, em casa, enquanto ele respondia ao processo em liberdade e aguardava o desfecho da ação no Supremo Tribunal Federal (STF).
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A Associação de Familiares e Vítimas do 8/1 (Asfav) informou que a causa da morte foi um infarto. A defesa comunicou o falecimento ao STF e apresentou a certidão de óbito nos autos.
Richard foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) sob acusação de envolvimento no financiamento de uma caravana que saiu do Rio Grande do Sul em direção a Brasília. Segundo a acusação, ele teria custeado a viagem de um dos participantes que esteve nos atos contra as sedes dos Três Poderes.
A defesa sempre negou que o aposentado tivesse financiado a viagem. Segundo os advogados, Richard apenas assinou documentos necessários para autorizar a saída do ônibus da garagem e não esteve em Brasília no dia dos ataques.
Investigação
Richard foi alvo da 23ª fase da Operação Lesa Pátria, da Polícia Federal, que investigou o financiamento e a organização de caravanas para Brasília.
Durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão, os agentes encontraram apenas um celular Samsung J5 com a tela quebrada, além de uma arma de fogo e 29 munições. Segundo informações apresentadas pela defesa, a PF não encontrou no aparelho dados relevantes para a investigação.
A situação financeira de Richard também foi analisada. Aposentado e beneficiário do BPC/Loas, ele recebia o equivalente a um salário mínimo. A investigação concluiu que não seria plausível que ele tivesse desembolsado sozinho os R$ 22 mil referentes ao aluguel do ônibus.
O relatório policial apontou como hipótese que o dinheiro tenha sido reunido pelos próprios passageiros.
“É absolutamente improvável e inverossímil que Ronaldo tenha arcado com recursos próprios para os R$ 22 mil que pagou à empresa de turismo, sendo muito provável, ante os depoimentos colacionados, que o investigado tenha gerenciado uma arrecadação”
A defesa usou esse ponto para contestar a acusação de que Richard teria financiado a caravana com recursos próprios. Os advogados sustentaram que os passageiros teriam dividido os custos e que o cliente apenas participou da liberação do veículo.
Richard não estava entre passageiros
Outro argumento apresentado pela defesa é que Richard não teria viajado para Brasília. O ônibus transportava 35 pessoas, sendo que 30 delas foram presas durante ou após os atos de 8 de janeiro.
O nome de Richard não aparece na lista de passageiros apresentada no processo. Os advogados também afirmaram que não há prova de que ele tenha estado na Praça dos Três Poderes naquele dia.
Apesar disso, a denúncia apresentada pela PGR atribuiu a ele participação no financiamento da caravana e imputou crimes relacionados aos atos de 8 de janeiro.
A denúncia foi recebida pelo STF. O processo estava em andamento e, em fevereiro deste ano, o ministro Alexandre de Moraes determinou que as partes apresentassem alegações finais.
Richard era réu primário e não possuía antecedentes criminais, segundo a defesa.
