Contrato de R$ 50 mi com Vorcaro previa aeronaves para Moraes
Além do contrato de aproximadamente R$ 131 milhões firmado com o Banco Master, o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tinha um segundo contrato com uma empresa de Daniel Vorcaro. O acordo, de R$ 50 milhões, previa a possibilidade de pagamento com bens e incluiu cotas de um jato Legacy 650 e de um helicóptero Airbus EC 155 B1.
O contrato foi firmado em 12 de maio de 2025 entre o escritório Barci de Moraes e a Viking Participações Ltda., empresa que tinha Vorcaro entre os sócios. A PF localizou o documento no celular do banqueiro e anexou ao relatório enviado ao STF.
A estrutura de pagamento previa R$ 40 milhões em ativos. As cotas estavam vinculadas às empresas F24 e F53. A primeira possuía o Legacy 650, prefixo PP-NLR. A segunda estava em processo de aquisição do helicóptero EC 155 B1, fabricado pela Airbus.
A PF identificou ainda que Vorcaro tratou diretamente da apresentação das aeronaves a Viviane. Em 9 de maio de 2025, três dias antes do contrato, ele pediu a Marcos da Mata, da Prime You, que enviasse à advogada uma brochura com informações sobre o avião e o helicóptero. A Prime You tinha como sócios Marcos da Mata e Daniel Vorcaro.
Os valores das cotas também aparecem no material apreendido. O Legacy 650 era avaliado em US$ 5.512.951,89. A cota do helicóptero custava US$ 1.335.014,01.
“Já usaram aviões e helicópteros”
A utilização das aeronaves aparece em mensagens posteriores à assinatura do contrato.
Em 16 de julho de 2025, Vorcaro cobrou de Marcos da Mata uma pendência relacionada às cotas dos ativos. Perguntou:
“Eles nao estao usando”
Marcos respondeu que haveria uma mudança de empresa. Segundo ele, os ativos já estavam liberados e disponíveis para uso. Na sequência, afirmou:
“Já usaram aviões e helicópteros”.
O mesmo interlocutor informou que o contrato deixaria de estar vinculado à Barci de Moraes e passaria para outra empresa identificada nas mensagens como “Lux”.
Pouco depois, Marcos enviou a Vorcaro um recorte de conversa que mantivera com Viviane. Ele perguntou se os destinatários estavam satisfeitos com a utilização das cotas.
Viviane respondeu:
“Sim, estamos gostando muito”.
Mudança da empresa titular
A documentação da PF mostra que a titularidade dos ativos também foi discutida durante a montagem do acordo.
O advogado Leonardo Palhares apresentou a Vorcaro duas alternativas. Uma delas previa a transferência imediata das cotas, com possibilidade de recompra por R$ 1 caso o contrato não fosse cumprido. A outra condicionava a transferência ao cumprimento do contrato.
Vorcaro rejeitou a primeira opção:
“Opcao 1 não é o negocio”
Na sequência, afirmou:
“Os ativos sao deles…ja”.
Dias depois, Palhares enviou a Vorcaro um Termo de Acordo e Dação em Pagamento. Segundo o advogado, havia uma questão sobre a participação direta do escritório na estrutura societária dos ativos. Ele relatou:
“o escritório deles não pode ser parte do contrato, não pode ter participação em empresas”.
E acrescentou:
“Ele queria que escritório fosse dono direto da cota, sem ser sócio das SPEs”.
Em julho, a discussão reapareceu. Segundo Palhares, havia preocupação com a exposição dos sócios da empresa que ficaria como dona dos ativos:
“Eles queriam que a empresa que fosse dona do ativo fosse uma que os sócios estão muito visíveis e haveria risco reputacional grande”.
O advogado disse ainda:
“O Guilherme está conferindo com a chefe dele se vão adotar uma estrutura diferente para a propriedade dos ativos ou não”.
Fatura de R$ 22,8 milhões
A operação também aparece associada a uma cobrança de R$ 22.815.120,95.
Em 24 de julho de 2025, uma funcionária do setor financeiro informou a Vorcaro que Leonardo Palhares havia pedido o pagamento de uma fatura emitida pelo escritório Barci de Moraes em nome da Viking.
No mesmo período, Vorcaro tratou com Palhares da mudança contratual. O advogado explicou que a estrutura ainda estava em análise por causa da empresa que ficaria como proprietária dos ativos.
Segundo contrato após acordo de R$ 131 milhões
O contrato com a Viking surgiu depois do acordo anterior entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes.
No primeiro contrato, firmado em 2024, o escritório recebia R$ 3 milhões mensais. Mensagens recuperadas pela PF mostram Vorcaro tratando o pagamento como prioridade.
Ele chegou a determinar:
“Pode pagar sempre, sem nota”
E completou:
“Do jeito que for”.
Em outra mensagem, classificou o pagamento como:
“É op pgto mais importante que temos”.
No segundo acordo, a estrutura mudou. A Viking passou a figurar como contratante e os ativos de empresas ligadas ao grupo de Vorcaro entraram na negociação.
A PF anexou ao relatório tanto o contrato da Viking com o escritório Barci de Moraes quanto o Termo de Acordo e Dação em Pagamento.