O Brasil e os Estados Unidos vão retomar, na próxima segunda-feira (31), as negociações sobre as tarifas impostas pelos norte-americanos a produtos brasileiros. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, terão uma reunião virtual às 14h30, no horário de Brasília.
✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp
O encontro foi marcado depois de uma troca de mensagens entre Rosa e Greer, que ocorreu na sequência da conversa telefônica entre o presidente Lula (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O telefonema entre os dois chefes de governo durou cerca de 1h20 e teve as relações comerciais entre os países como um dos principais assuntos. Segundo o Palácio do Planalto, Lula argumentou que as tarifas prejudicam as economias brasileira e norte-americana e defendeu a retomada das negociações.
Trump, ainda de acordo com o governo brasileiro, concordou sobre a necessidade de preservar a relação comercial entre os dois países e sugeriu que as equipes técnicas voltassem a negociar o quanto antes.
Após a conversa, Greer procurou o ministro brasileiro para reabrir o canal de diálogo. A reunião de segunda-feira será o primeiro passo de uma nova rodada de negociações técnicas.
Brasil quer ampliar exceções
A prioridade inicial do governo brasileiro será ampliar a relação de produtos nacionais que ficaram fora das tarifas adicionais aplicadas pelos Estados Unidos. Em uma etapa posterior, o governo pretende discutir a retirada ou redução das cobranças.
Segundo Márcio Elias Rosa, a estratégia é negociar primeiro a ampliação das exceções e, depois, avançar para uma discussão mais ampla sobre as medidas tarifárias.
Brasil e Estados Unidos já haviam mantido conversas sobre o tema, mas não chegaram a um acordo. Desde o anúncio das tarifas, o governo brasileiro afirma ter realizado mais de 30 contatos com autoridades norte-americanas em diferentes níveis.
Tarifas chegam a 37,5%
Os Estados Unidos aplicaram duas cobranças adicionais sobre parte dos produtos brasileiros neste ano.
A primeira acrescentou uma tarifa de 25% após uma investigação comercial norte-americana que apontou, segundo o governo Trump, práticas brasileiras consideradas prejudiciais ou restritivas ao comércio entre os dois países. Entre os temas citados pelos americanos estavam o Pix e a regulação de plataformas digitais.
Posteriormente, uma segunda cobrança de 12,5% foi anunciada. Com as duas medidas, determinados produtos brasileiros passaram a enfrentar uma tarifa adicional de 37,5% para entrar no mercado norte-americano.
A cobrança, porém, não atinge todos os produtos. Petróleo, café e carne bovina estão entre os itens que ficaram fora da tarifa adicional. Já setores como calçados, máquinas, madeira e açúcar continuam submetidos à alíquota máxima.
A expectativa do governo brasileiro é que a reabertura das negociações permita ampliar a lista de exceções e, posteriormente, discutir uma redução das tarifas que permanecem em vigor.
