A Polícia Federal (PF) identificou um operador financeiro que era usado pela lobista Roberta Luchsinger, sócia e amiga íntima de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para realizar saques em dinheiro vivo. Uma das suspeitas é que o homem tenha pago passagens aéreas para o filho mais velho de Lula (PT). A informação é do jornal O Estadão.
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Luchsinger e Lulinha são investigados no Supremo Tribunal Federal (STF) por tráfico de influência, corrupção e lavagem de dinheiro no governo Lula. A PF encontrou diálogos entre a lobista e o operador no celular dela.
Identificado como Ulisses Barbosa, o homem também trabalhava como motorista. Em uma das conversas, Luchsinger ordenou que Barbosa fizesse um depósito para uma agência de viagens usada por ela e por Lulinha. “Deposita 50 mil nessa conta tb”, escreveu a lobista.
Os investigadores da PF suspeitam que depósitos em dinheiro vivo eram utilizados para dificultar o rastreamento das despesas. A PF identificou que um desses pagamentos à agência coincidiu com uma viagem realizada por Roberta e Lulinha.
A corporação já havia apontado suspeitas de que recursos de Luchsinger foram usados para pagar uma agência de viagens utilizada por Lulinha, com base em relatórios de inteligência financeira. As mensagens encontradas no celular da lobista acrescentaram novos elementos à apuração.
A PF também suspeita que Luchsinger gastava cerca de R$ 100 mil por mês para manter uma casa usada por Lulinha. Em uma conversa de 2025, a lobista relatou ter discutido com ele as despesas da residência e afirmou que seria necessário reduzir os gastos com passagens aéreas devido à demora nos pagamentos de um empresário.
Ao relatar a conversa ao empresário Cléber Ribas, Roberta disse que havia falado com Lulinha: “Ó Fábio, agora acabou porque a casa por mês a gente gasta em torno de R$ 100 mil, então assim, não vai mas dar pra ter essas passagens”. Segundo ela, Lulinha respondeu que pediria os pagamentos diretamente aos empresários.
O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, afirmou ao Estadão que a PF não comprovou que os saques em dinheiro vivo foram usados para pagar viagens de Lulinha. Ele também negou qualquer relação do filho de Lula com o suposto operador. “Não dá pra dizer que esses pagamentos da agência de viagens têm relação com o pagamento de viagens do Fábio”, afirmou o advogado.
Já a defesa de Roberta Luchsinger e o motorista não se manifestaram.
