O senador Carlos Viana (PSD-MG) anunciou nesta quinta-feira (20) que vai buscar assinaturas para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado destinada a investigar o Lulinha, filho do presidente Lula. São necessárias 27 assinaturas para que o requerimento de criação da comissão seja protocolado.
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Viana fez o anúncio nas redes sociais e pediu que eleitores pressionem os senadores de seus Estados a apoiar a iniciativa.
“Quero saber quem abriu portas dentro do Governo, quais interesses foram intermediados e qual foi, de fato, o papel de Lulinha nos episódios investigados. Na CPMI do INSS, eu enfrentei gente poderosa. Não vai ser diferente agora. O Brasil exige investigação. Filho do presidente da República não está acima da lei. Cobrem seus senadores. Quem não tem medo da verdade, assina”
Segundo o senador, a comissão deverá esclarecer a atuação de Lulinha junto a agentes públicos e interesses privados.
A iniciativa ocorre enquanto a Polícia Federal investiga suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha e a empresária Roberta Luchsinger. O caso inclui possíveis intermediações junto a órgãos do governo federal.
Viana já pediu oitiva de Lulinha
Na terça-feira (18), Viana havia solicitado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que avaliasse a possibilidade de ouvir Lulinha no âmbito das investigações.
A iniciativa ocorreu após a divulgação de mensagens trocadas entre Lulinha e Roberta em março de 2024. Segundo as investigações, os diálogos indicam possíveis contatos da dupla com integrantes do governo.
Nas mensagens, Lulinha afirma ter participado de reuniões com Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola e ex-chefe de gabinete de Lula, e Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde.
Em um dos trechos, Roberta afirma que Marcola não queria a presença de Fernando Bittar em um almoço com Swedenberger. Lulinha responde que já havia participado de três almoços com o secretário e que ele havia pedido que os encontros fossem apenas entre eles.
Segundo os investigadores, “Fernando” ou “Fefe” seria Fernando Bittar, ex-sócio de Lulinha e um dos proprietários formais do sítio de Atibaia.
Lulinha é alvo de três inquéritos
Lulinha é investigado em três inquéritos que tramitam no STF. Dois estão sob relatoria de André Mendonça e um é conduzido pelo ministro Flávio Dino.
As apurações envolvem suspeitas de intermediação de interesses junto a órgãos públicos e possíveis relações com empresários.
Um dos procedimentos também analisa uma tentativa de negociação de medicamentos à base de canabidiol com o Ministério da Saúde.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a Mendonça que esse inquérito seja remetido à primeira instância. Segundo a manifestação, não há investigado com foro por prerrogativa de função que justifique a permanência do caso no Supremo.
Lula se reúne com advogado de Lulinha
Na noite de quarta-feira (19), Lula se reuniu no Palácio da Alvorada com o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Lulinha.
Carvalho é um dos fundadores do grupo Prerrogativas e foi escolhido para coordenar, em São Paulo, a campanha de Lula à reeleição.
Até o momento, Viana busca as 27 assinaturas necessárias para formalizar o pedido de criação da CPI no Senado.
