Partido Novo questiona repasses públicos feitos à escola que homenageou o presidente no Rio
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu andamento a uma ação que questiona a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin no Carnaval do Rio de Janeiro. O processo envolve suspeitas de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação.
O partido Novo apresentou a ação contra a chapa depois do desfile da Acadêmicos de Niterói, realizado em 15 de fevereiro. A escola levou para a Marquês de Sapucaí um enredo dedicado à trajetória política de Lula, que naquele momento era pré-candidato à reeleição.
O processo está sob análise do corregedor-geral do TSE, Antonio Carlos Ferreira. Na sexta-feira 14, ele considerou que os fatos apresentados pelo Novo podem, em tese, caracterizar as irregularidades apontadas pela legenda e autorizou o prosseguimento da ação.
O partido afirma que a escola recebeu R$ 9,65 milhões em recursos públicos. As prefeituras de Niterói e do Rio de Janeiro, o governo fluminense e a Embratur teriam repassado os valores.
Segundo o Novo, os repasses ocorreram depois que a escola anunciou, em julho de 2025, que homenagearia Lula no desfile.
O que será analisado pelo TSE
Ferreira avaliou que a ação apresenta documentos suficientes para avançar, entre eles comprovantes de pagamentos, registros oficiais, documentos de Tribunais de Contas e o material oficial do desfile. A Justiça agora deverá citar Lula e Alckmin para apresentarem defesa em cinco dias.
O enredo apresentado pela Acadêmicos de Niterói recebeu o título “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. A apresentação também incluiu referências ao PT e ao número de urna da legenda no samba-enredo.
A organização chegou a esperar a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, no desfile, mas ela não participou da apresentação. A cantora Fafá de Belém ocupou o espaço previsto para ela.
