CNJ afasta juiz que sugeriu venda Banco Santos ao Master

O corregedor-nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques, determinou o afastamento do juiz Paulo Furtado de Oliveira Filho, responsável pelo processo de falência do Banco Santos na 2ª Vara de Falências de São Paulo. O magistrado foi gravado em uma reunião com os herdeiros do antigo controlador da instituição, Edemar Cid Ferreira, na qual teria sugerido a venda do banco ao Banco Master, de Daniel Vorcaro.

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A conversa ocorreu em 2024, meses após a morte de Edemar, e contou com a participação dos três filhos do banqueiro, Rodrigo, Eduardo e Leonardo. Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, o encontro ocorreu sem a presença dos advogados que representavam a família no processo de falência.

Na gravação, Furtado também teria indicado profissionais para atuar em favor dos herdeiros. O magistrado teria apresentado a venda do Banco Santos ao Master como uma alternativa para encerrar o processo de falência.

Ainda segundo o conteúdo da conversa, a família deixaria de participar do processo e abriria mão de ações de responsabilização relacionadas aos herdeiros de Edemar Cid Ferreira.

A investigação conduzida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) tramita sob sigilo.

Procurado sobre o afastamento, Furtado não comentou a decisão. Em relação à gravação, porém, negou ter cometido irregularidades. O juiz afirmou que mantém tratamento igualitário entre as partes e destacou que suas decisões vêm sendo confirmadas pelas instâncias superiores.

Falência do Banco Santos

Em julho, Mauro Campbell já havia determinado a suspensão do processo de falência do Banco Santos por meio de uma decisão liminar. Na mesma ocasião, o corregedor afastou o administrador judicial responsável pelo caso e determinou a escolha de novos profissionais.

A decisão também interrompeu temporariamente a venda de ativos e pagamentos a credores da massa falida.

Segundo o CNJ, as medidas foram adotadas diante de indícios de irregularidades envolvendo a condução do processo e tiveram como objetivo preservar o patrimônio da massa falida do Banco Santos enquanto as suspeitas são apuradas.

A instituição financeira, controlada por Edemar Cid Ferreira, teve a falência decretada em 2005. O processo se arrasta há anos na Justiça e envolve um extenso patrimônio e disputas entre credores e antigos integrantes do grupo.



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