Já teve problemas muito piores que o meu

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou nesta quinta-feira (18) que não acredita em sua saída do cargo após ser alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero. Ao comentar uma eventual substituição na liderança, o senador citou o histórico judicial do presidente Lula e disse que mantém o apoio do chefe do Executivo.

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[Lula] Fez questão de me ligar, se solidarizar comigo. E ele que já teve problemas até maiores do que esse, como eu tive, mas ele muito pior, que foi preso depois de nos sentar e está aí com o presidente da república.”

Em entrevista à BandNews, Wagner afirmou que a permanência na liderança depende exclusivamente de Lula, mas disse não acreditar em mudanças.

“Não acho que ele vai fazer isso, mas se ele fizer, é um direito dele. O cargo de líder do governo é do presidente da República, mas eu falei com ele hoje e ele sequer tocou nesse tema”, declarou.

O senador também afirmou que seguirá candidato à reeleição em outubro na chapa encabeçada pelo governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT).

Segundo Wagner, o presidente telefonou para manifestar solidariedade após a operação da Polícia Federal.

“O presidente Lula ligou para mim para se solidarizar, dizer que mantém absoluta confiança. Temos uma relação de mais de 40 anos e, portanto, sabe meu jeito de agir. Se eu tivesse qualquer esquema fora do permitido, seguramente todo mundo saberia.”

A operação que atingiu endereços do senador foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e possíveis favorecimentos ao Banco Master.

De acordo com a Polícia Federal, as apurações envolvem três frentes principais: a negociação de um apartamento de alto padrão em Salvador, repasses financeiros para empresa ligada ao núcleo familiar do senador e eventual atuação parlamentar em temas de interesse do Banco Master.

A decisão do STF cita ainda mensagens, chamadas telefônicas, viagens em aeronaves particulares e encontros entre Wagner e o empresário Augusto Lima, ex-sócio da instituição financeira.

Entre os elementos reunidos pelos investigadores está uma conversa de março de 2025 sobre a tentativa de venda do Banco Master ao BRB. Em uma das mensagens mencionadas no processo, Augusto Lima escreveu ao senador: “Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso!!”.

Wagner negou qualquer relação direta com Daniel Vorcaro, apontado como principal nome ligado ao caso. Segundo o senador, os contatos ocorreram apenas em duas ocasiões e foram intermediados por Augusto Lima.

“Nunca tive maiores entendimentos com o Daniel. O entendimento foi na venda do Credcesta, o Augusto Lima comprou a rede de supermercados junto com um fundo espanhol. Depois, ele procurou um banco para ter fluxo de caixa e empréstimos. É ali que entra o Banco Máxima e depois o Master”, afirmou.



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