O deputado estadual da Alerj Val Ceasa (PRD) e o ex-vereador do Rio de Janeiro Ulisses de Almeida Marins (União Brasil) são alvos de operação deflagrada nesta manhã (18) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio por suposta ligação com o Terceiro Comando Puro (TCP), a segunda maior facção criminosa do estado.
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Ao todo, são cumpridos 14 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio, em endereços da Alerj, da Ceasa e em outros pontos da capital fluminense e do Espírito Santo. Também foi alvo de busca o ex-assessor parlamentar e atual funcionário de uma empresa pública de energia Michael Johnny Vianna de Azevedo.
Segundo a investigação, Val e Ulisses teriam atuado para impedir a demolição de um resort de luxo ligado ao traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, apontado como uma das lideranças da facção, em Parada de Lucas, no Complexo de Israel, Zona Norte do Rio.
Duas pessoas foram presas em flagrante por posse ilegal de arma de fogo: Suelen Silva dos Reis, conhecida como Suelen Bacana, e Michael Johnny Vianna de Azevedo, também alvo da operação.
Suelen é viúva do ex-vereador Zico Bacana, morto em 2023. No ano seguinte, disputou uma vaga na Câmara Municipal pelo PRD e ficou como suplente. Segundo a investigação, mantém atuação política alinhada a Val Ceasa e ocupava cargo comissionado na Rioluz, com remuneração líquida de R$ 4.577,39, além de complementos em alguns meses. A Prefeitura do Rio informou que foi exonerada em 3 de novembro.
Michael, ex-assessor de Val Ceasa entre fevereiro de 2024 e janeiro do ano passado, também atuava na Rioluz na fiscalização da iluminação pública na Zona Norte, com salário líquido de R$ 3,4 mil. A exoneração será publicada no Diário Oficial desta sexta, segundo a prefeitura, que afirmou que “nada que vetasse a sua nomeação foi encontrado pela Secretaria de Integridade” no processo de admissão.
De acordo com a força-tarefa, os parlamentares teriam procurado a Polícia Militar para obter informações sobre uma operação sigilosa voltada à demolição de imóveis usados pela organização criminosa em Parada de Lucas. Aponta ainda que eles teriam tentado sustentar que os imóveis eram destinados a serviços sociais, versão que não se confirmou. A ação acabou adiada.
A Alerj informou que acompanha a operação e reafirmou compromisso com transparência e colaboração com as investigações.
Já a Prefeitura do Rio disse que Ulisses não integra o quadro de servidores e que atos publicados em 10 de novembro de 2025 foram anulados em 17 de novembro de 2025 após análise da Secretaria de Integridade.
Em pronunciamento na Alerj, Val Ceasa afirmou que trabalho de “domingo a domingo” e que honra seus “compromissos”: Para você saber se a pessoa tem envolvimento com coisas erradas, é só perguntar à população. Eu trabalho de domingo a domingo dando dignidade aos mais carentes do Rio de Janeiro, as pessoas que precisam do poder público pra gente melhorar a vida das pessoas. E tô sofrendo essa perseguição política, mas Deus e a justiça vai provar que a gente é gente de bem”.