Começa hoje (01) em Lisboa a 14ª edição do Fórum de Lisboa, conhecido como “Gilmarpalooza”. O evento vai até 3 de junho e reunirá cerca de 450 participantes, entre ministros de tribunais superiores, integrantes do governo Lula (PT), parlamentares, governadores, juristas e acadêmicos.
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Promovido pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), pela FGV Justiça e pelo Lisbon Public Law, o encontro será realizado na Universidade de Lisboa. O tema deste ano é “Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, econômicos e sociais”.
Anfitrião do evento, o ministro do Supremo Gilmar Mendes afirmou que um dos focos dos debates será a atuação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na política internacional. “Qual é a nova ordem internacional com Trump, prendendo [Nicolás] Maduro na Venezuela ou atacando outros países? Temos que entender”, disse em entrevista à Band.
Além da política externa norte-americana, a programação inclui discussões sobre inteligência artificial, soberania digital e o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.
O fórum reunirá 2 ministros do Supremo, 11 ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), 4 ministros do Tribunal de Contas da União (TCU), 3 ministros do governo Lula, 1 governador e 18 congressistas.
Também estão confirmadas as presenças do ex-presidente Michel Temer, do ex-presidente colombiano Iván Duque e do ex-presidente de Cabo Verde Jorge Carlos Fonseca. Participam ainda o economista Joel Mokyr, vencedor do Nobel de Economia de 2025, e o jornalista Thomas Friedman, colunista do The New York Times e vencedor de três prêmios Pulitzer.
Entre as autoridades do sistema de Justiça estarão o procurador-geral da República, Paulo Gonet; o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo; o ministro do TCU Antonio Anastasia; e o ministro do STJ Luis Felipe Salomão.
O encontro também contará com representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), magistrados europeus e professores de universidades da Alemanha, França, Itália, Reino Unido e Argentina.
Fora da programação oficial, empresários e representantes do setor privado devem promover recepções, jantares e encontros reservados na capital portuguesa. Tradicionalmente, esses eventos paralelos reúnem ministros, magistrados, advogados e executivos.
A proximidade entre integrantes do Judiciário e empresários é alvo recorrente de críticas. Neste ano, os questionamentos ganharam ainda força em meio ao caso envolvendo o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Gilmar já rebateu críticas semelhantes. Em entrevista concedida em 2025, o ministro afirmou não enxergar conflito entre sua atuação no STF e sua participação societária no IDP, instituição privada fundada em Brasília em 1998.
Na ocasião, comentou contratos firmados entre o IDP e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). “Eu sou sócio do IDP e, em dado momento histórico, o IDP aceitou uma proposta da CBF para realizar os cursos que a CBF Academy fazia. Foi somente um contrato de direito privado dirigido pela direção do IDP”, declarou.