O Brasil registrou 42.590 homicídios em 2024, o equivalente a uma taxa de 20,1 mortes por 100 mil habitantes. Os dados constam na nova edição do Atlas da Violência, divulgada nesta terça-feira (26), e mostram redução de 6,9% nos assassinatos em comparação ao ano anterior. O resultado representa o menor patamar registrado no país nos últimos 11 anos.
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Produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o estudo atribui a queda a fatores como mudanças demográficas, políticas estaduais de segurança e transformações nas dinâmicas do crime organizado em diferentes regiões do país.
Apesar da melhora nos indicadores oficiais, os pesquisadores fazem um alerta para a deterioração da qualidade dos registros. O levantamento identificou forte crescimento das chamadas Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI), categoria usada quando não há definição clara sobre a origem do óbito.
Em um ano, esse tipo de ocorrência aumentou 88,6%, passando de 3.755 para 7.083 registros. Com modelos estatísticos que tentam identificar homicídios não contabilizados oficialmente, os pesquisadores estimam que o número real de assassinatos possa superar 49,6 mil casos em 2024.
A avaliação dos especialistas é que o avanço dessas ocorrências cria um “apagão estatístico”, dificultando o entendimento sobre a dinâmica da criminalidade e comprometendo a formulação de políticas públicas de segurança.
No recorte por estados, a violência permaneceu concentrada principalmente nas regiões Norte e Nordeste. O Amapá apresentou a maior taxa do país, com 45,7 homicídios por 100 mil habitantes. Em seguida aparecem Bahia (40,9), Pernambuco (37,3), Alagoas (35,9) e Ceará (34,3).
No extremo oposto, São Paulo registrou a menor taxa nacional, com 6,6 homicídios por 100 mil habitantes. Santa Catarina (8,1) e Distrito Federal (10,3) aparecem na sequência entre os melhores indicadores.
O Atlas também reforça que a juventude segue sendo a principal vítima da violência letal. Entre 2014 e 2024, 301.825 jovens de 15 a 29 anos foram assassinados no país — média de aproximadamente 75 mortes por dia ao longo do período. Apenas em 2024, foram registrados 19.801 homicídios nessa faixa etária.
O levantamento ainda mostra que grupos vulneráveis continuam expostos a níveis elevados de violência. Mulheres, pessoas negras, indígenas, idosos, população LGBTQIAPN+ e pessoas com deficiência seguem apresentando indicadores preocupantes, evidenciando desigualdades persistentes no cenário da segurança pública brasileira.
Além da violência letal, o estudo chama atenção para outro dado: as mortes no trânsito. Em 2024, o Brasil contabilizou 37.150 óbitos em acidentes viários, sendo que motocicletas estiveram envolvidas em 41,6% desses casos. Segundo os pesquisadores, o avanço do trabalho por aplicativos e a ampliação do uso da moto como instrumento de renda têm aumentado a exposição ao risco, sobretudo em regiões mais vulneráveis.