Alta do combustível já derruba 3,5 mil voos no Brasil

A alta no preço do querosene de aviação provocada pela guerra no Oriente Médio já levou ao cancelamento de mais de 3,5 mil voos no Brasil apenas em maio, segundo dados apresentados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) na Câmara dos Deputados.

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A previsão da agência é de que outros 2,6 mil voos sejam cancelados em junho caso o cenário de custos elevados continue pressionando o setor aéreo.

Os números foram apresentados pelo gerente de Acompanhamento de Mercado da Anac, Luiz Fernando de Abreu Pimenta, durante audiência pública da Comissão de Defesa do Consumidor que discutiu os impactos da alta do combustível no preço das passagens aéreas.

“Fizemos uma avaliação e, apesar da redução da malha aérea, nenhum destino deixou de ser atendido pelo transporte aéreo. Também não há hoje risco de desabastecimento, como ocorreu em alguns países da Europa”, afirmou.

Segundo o Ministério do Turismo, houve redução significativa das rotas regionais. Os estados mais afetados foram Acre, Amazonas, Pernambuco, Goiás, Pará, Paraíba e Minas Gerais.

A Petrobras anunciou um programa temporário para reduzir o impacto do aumento do combustível sobre distribuidoras da aviação comercial. A medida permite parcelar parte do reajuste aplicado no querosene de aviação.

De acordo com o gerente de Comércio Interno de Combustíveis de Aviação da estatal, Thiago Dias de Oliveira, o reajuste de abril ficou limitado a 18%. Em maio, o teto subiu para 28% em relação aos preços de março.

“A diferença continua parcelada em seis vezes, com a primeira parcela prevista para julho de 2026”, explicou.

A Petrobras também informou que pretende ampliar os investimentos na produção nacional de querosene de aviação para reduzir a dependência externa. Atualmente, o Brasil importa até 30% do combustível consumido no país.

Hoje, nove refinarias produzem querosene de aviação no Brasil, sendo seis pertencentes à Petrobras. Das 14 distribuidoras que atuam no setor, 11 também são ligadas à estatal.

O governo federal suspendeu temporariamente a cobrança de PIS/Cofins sobre o querosene de aviação até o fim de maio. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) defende a prorrogação da medida até dezembro.

A entidade também propôs um novo acordo entre Petrobras e distribuidoras para parcelar integralmente os reajustes previstos para os próximos meses.

Durante a audiência, o deputado Felipe Carreras (PSB-PE), presidente da Frente Parlamentar da Aviação Civil e do Turismo, criticou a ausência do Ministério da Fazenda no debate.

“Talvez a ausência ocorra porque o governo ainda não apresentou medidas para enfrentar o problema”, declarou.

O parlamentar afirmou que pretende convocar os ministros da Fazenda e da Casa Civil para explicar quais medidas serão adotadas diante da escalada dos preços do combustível.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, o impacto sobre gasolina e diesel foi menor que o registrado no querosene de aviação. O diretor do Departamento de Combustíveis e Derivados, Edie Andreeto Jr., afirmou que o aumento da gasolina no Brasil ficou em 5,9%, enquanto outros países registraram altas superiores a 50%.

“O Brasil teve o segundo menor impacto do mundo, atrás apenas da Espanha”, disse.



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