Após operação atingir policiais, Andrei diz que PF “corta da própria carne”

Diretor da PF diz que órgão é alvo de ataques covardes

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta quinta-feira (14) que a corporação atua de forma independente e não faz distinção ao investigar suspeitas envolvendo integrantes da própria instituição.

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A declaração foi dada após a 6ª fase da Operação Compliance Zero atingir policiais federais no contexto das investigações ligadas ao caso Banco Master. As informações são do portal Metrópoles.

“Como sempre tenho dito, a Polícia Federal trabalha de maneira técnica, imparcial e em busca da melhor instrução das suas investigações. Não protege, nem persegue, age com autonomia, e corta na própria carne quando necessário”, afirmou Andrei.

Na avaliação do diretor-geral, a operação também reforça o trabalho desempenhado pela maior parte dos integrantes da corporação. “Serve também para valorizar a quase totalidade dos policiais federais, que agem com correção e dedicação”, declarou. Ele acrescentou ainda: “Não há hipótese de transigirmos com desvio de conduta em nossa Instituição”.

A nova etapa da operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e determinou o afastamento preventivo da delegada Valéria Vieira Pereira da Silva. Além da suspensão do cargo, a decisão incluiu retenção do passaporte e proibição de saída do país.

Segundo a investigação, a delegada teria acessado, sem justificativa funcional, informações de um inquérito conduzido pela superintendência da PF em São Paulo, apesar de estar lotada em Minas Gerais e não ter vínculo com o procedimento.

A PF sustenta que, após acessar os autos, dados considerados sensíveis teriam sido compartilhados com Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado apontado como integrante do grupo investigado. Os investigadores afirmam ainda que, embora não tenham identificado contato direto entre os dois, há suspeita de que o marido da delegada, Francisco José Pereira da Silva, tenha atuado como intermediário.

A apuração aponta possíveis crimes de violação de sigilo funcional, corrupção e participação em organização criminosa.

A operação também resultou na prisão de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a PF, ele teria exercido papel relevante na manutenção financeira da estrutura investigada, apontada como um núcleo paralelo de proteção, monitoramento e intimidação.

A defesa de Valéria negou as acusações. O advogado Bruno Correia Lemos afirmou que a tese apresentada pelos investigadores “não prospera” e argumentou que os dois não estavam cadastrados no procedimento citado pela corporação.

“Cada servidor possui uma matrícula e o acesso é restrito. Então, se o servidor não estiver cadastrado na operação, ele não consegue acessar o sistema com a matrícula dele”, declarou.

Segundo a defesa, também foi solicitado acesso integral aos autos da investigação e deve ser apresentado pedido para revisão das medidas cautelares impostas. “A nossa esperança é que a apuração aconteça para demonstrar a inocência dos dois, que possuem uma história na PF”, disse o advogado.



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