A Rússia anunciou, nesta segunda-feira (4), um cessar-fogo temporário na guerra contra a Ucrânia, previsto para os dias 8 e 9 de maio, período em que o país celebra o Dia da Vitória, data que marca a derrota da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial.
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A trégua, definida de forma unilateral pelo Kremlin, deve durar 24 horas e coincide com uma das principais celebrações nacionais russas, tradicionalmente marcada por desfiles militares em Moscou. O governo de Vladimir Putin afirmou esperar que a Ucrânia adote medida semelhante e suspenda as operações no mesmo período.
Em comunicado, o Ministério da Defesa russo elevou o tom ao alertar que qualquer tentativa de interromper as comemorações será respondida com força. Segundo a pasta, eventuais ataques ucranianos poderão provocar uma “resposta massiva”, incluindo ações direcionadas ao centro de Kiev.
O anúncio ocorre em meio ao aumento das tensões em torno do feriado, frequentemente utilizado pelo governo russo como vitrine de poder militar e mobilização patriótica. Neste ano, no entanto, há indicativos de ajustes nas celebrações por razões de segurança.
A proposta de trégua também surge dias após uma conversa telefônica entre Putin e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. De acordo com o Kremlin, o líder russo informou ao norte-americano sua intenção de suspender temporariamente os combates durante o período festivo. Ainda segundo autoridades russas, Trump teria sinalizado de forma favorável à iniciativa.
Apesar disso, Moscou reiterou que mantém a iniciativa militar no conflito e que os objetivos da chamada “operação militar especial” seguem inalterados, embora continue defendendo uma solução negociada para a guerra.
Até o momento, o governo ucraniano não se pronunciou oficialmente sobre a nova proposta. Em ocasiões anteriores, Kiev acusou a Rússia de violar cessar-fogos temporários, incluindo durante a Páscoa ortodoxa, quando, segundo autoridades ucranianas, houve centenas de infrações ao acordo.
A Ucrânia tem defendido uma trégua mais ampla e duradoura como base para negociações de paz, enquanto a Rússia resiste à ideia sob o argumento de que uma pausa prolongada permitiria ao adversário reorganizar suas forças no campo de batalha.