PF aponta uso de empresas de fachada em esquema imobiliário ligado ao ex-BRB

O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa — Foto: Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília/14-08-2019

A Polícia Federal identificou um suposto esquema de ocultação patrimonial envolvendo o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo as investigações, a estrutura utilizava empresas do setor imobiliário e intermediários formais para esconder a titularidade de bens de alto valor.

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No centro do modelo aparece Hamilton Edward Suaki, apontado como responsável por figurar oficialmente como diretor de empresas criadas para adquirir imóveis. Ele é cunhado do advogado Daniel Monteiro, identificado como operador jurídico do grupo. Para a PF, Suaki atuava como interposta pessoa, prática conhecida como uso de “laranja”.

A ofensiva, chamada de Operação Compliance Zero, cumpriu dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo. Foram presos Paulo Henrique Costa e Daniel Monteiro. Outros investigados, incluindo Suaki, foram alvo de diligências.

Conversas analisadas pela Polícia Federal mostram discussões sobre a montagem da estrutura empresarial. Em mensagens, Monteiro menciona a necessidade de definir quem assumiria formalmente a direção das empresas responsáveis pela compra dos imóveis, indicando a busca por alguém que não estivesse ligado a outras operações.

De acordo com a investigação, seis companhias foram abertas entre julho e outubro de 2024 com foco no mercado imobiliário. As empresas Allora, Lenore, Stanza, Domani, Chesapeake e Milano estão registradas no mesmo endereço em São Paulo e apresentam capital social elevado, em alguns casos superior a R$ 40 milhões. A suspeita é de que essas estruturas tenham sido utilizadas para receber recursos de fundos e adquirir imóveis de luxo sem associação direta aos verdadeiros beneficiários.

A apuração também aponta que pelo menos seis propriedades teriam sido negociadas entre Vorcaro e Costa, com valor estimado em cerca de R$ 140 milhões. Parte das transações, aproximadamente R$ 74 milhões, chegou a ser efetivada. Para os investigadores, os imóveis podem ter sido utilizados como forma de pagamento de vantagem indevida para viabilizar negócios entre instituições financeiras.

Segundo a PF, o fluxo de pagamentos foi interrompido após o surgimento de indícios de investigação sigilosa sobre o caso. As apurações seguem em andamento e envolvem suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes financeiros.



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