A apreensão de mais de quatro toneladas de cocaína em uma operação internacional foi o ponto de partida para a investigação que levou à prisão de artistas e influenciadores digitais suspeitos de integrar um esquema de lavagem de dinheiro no Brasil.
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A ação da Polícia Federal, batizada de Operação Narco Fluxo, resultou na prisão de nomes como MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e o influenciador Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei.
Segundo a PF, o grupo estruturou um sistema de ocultação e dissimulação de recursos por meio de empresas, publicidade digital, criptoativos, apostas on-line e rifas virtuais, movimentando cerca de R$ 1,6 bilhão em dois anos.
A investigação teve início após a interceptação, pela Marinha dos Estados Unidos, de um veleiro com carregamento de cocaína em rota entre Cabo Verde e as Ilhas Canárias. A partir da apreensão e da análise de um celular ligado ao esquema, os investigadores identificaram conexões com empresas de fachada e operações financeiras no Brasil.
De acordo com a apuração, artistas e perfis com grande alcance nas redes sociais eram usados para dar aparência de legalidade aos recursos e ampliar a circulação financeira do dinheiro.
As diligências ocorreram em diversos estados e no Distrito Federal, com dezenas de mandados judiciais. Até o fim do dia, 33 pessoas haviam sido presas.
A PF aponta que o grupo utilizava produtoras musicais e empresas de entretenimento para misturar receitas legítimas com valores de origem ilícita. Também foram identificadas transferências fracionadas, uso de “laranjas” e movimentações com criptomoedas para dificultar o rastreamento.
Durante a operação, foram apreendidos veículos de luxo, dinheiro em espécie, armas e outros bens. A Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 1,63 bilhão em ativos.
Os investigados podem responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. As defesas afirmam que as operações são legais e dizem aguardar acesso aos autos para se manifestar.