A esposa do coronel da Polícia Militar do Distrito Federal, Jorge Eduardo Naime Barreto, afirmou nesta sexta-feira (13) que a decisão que levou o militar novamente à prisão representa “perseguição política” e apontou irregularidades no andamento do processo.
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A declaração foi dada por Mariana Naime durante participação no programa Alive, apresentado pelo jornalista Cláudio Dantas no YouTube.
Segundo ela, a decisão ocorreu antes do esgotamento de todos os recursos. Mariana afirmou que a defesa ainda discutia medidas processuais quando foi declarada a existência de trânsito em julgado.
“É importante a gente estar aqui para esclarecer o que de fato tem acontecido”, afirmou. Ela acrescentou que a família não esperava uma nova ordem de prisão. “Processualmente falando, o trânsito em julgado do processo do Naime não aconteceu.”
De acordo com Mariana, a defesa já prepara novos pedidos judiciais após a decisão. Ela afirmou que o processo teria sido “completamente atropelado desde o primeiro momento”.
A esposa do coronel também criticou a condução das investigações relacionadas aos atos de Ataques de 8 de janeiro de 2023. Segundo ela, não houve cautela semelhante à adotada em outros casos recentes investigados pelo Supremo.
“Então a gente vê uma contradição, uma hipocrisia tão grande em relação ao posicionamento quando é conveniente a eles e quando é para perseguir não existe mais lei”, disse. Mariana classificou a decisão como “uma prisão ilegal”.
Atuação no 8 de janeiro
Durante a entrevista, Mariana afirmou que Naime foi alvo de investigação mesmo estando de férias no dia dos ataques.
Segundo ela, o militar não participava da cadeia de comando da corporação naquele momento. “Era o único que estava fora da cadeia de comando, o único que não participou de reunião, o único que não estava em grupos de WhatsApp.”
Ela também disse que o coronel teria recusado uma ordem para utilizar munição letal contra manifestantes durante a crise.
“Naime não cumpre uma ordem ilegal de usar munição letal contra os manifestantes”, afirmou. Segundo ela, essa decisão teria provocado conflitos internos durante a operação.
Mariana também questionou a atuação de outras autoridades responsáveis pela segurança dos prédios públicos naquele dia. Ela citou o então ministro da Justiça, Flávio Dino, afirmando que a responsabilidade pela proteção dos prédios federais caberia ao governo federal.
Ela lembra que o próprio Lula declarou posteriormente que as portas do Palácio do Planalto estavam abertas no momento da invasão.
Condições de saúde
Mariana também mencionou problemas de saúde enfrentados pelo coronel durante o período em que permaneceu preso anteriormente.
Ela afirmou que o militar sofreu episódios de desmaio e chegou a ser hospitalizado após um acidente dentro da unidade prisional.
“Ele ficou preso por quase um ano e meio e teve vários problemas de saúde na prisão”, disse.
Vídeo antes de se entregar
Na véspera de se apresentar às autoridades, Naime divulgou um vídeo nas redes sociais agradecendo o apoio recebido.
“Não vou entrar nesse vídeo agora para entrar em mérito de decisão, mas vim aqui agora para agradecer”, afirmou o coronel.
No vídeo, ele disse que pretende continuar contestando a condenação.
“A luta não acabou. Eu não vou desistir até que a verdade seja recolocada nos devidos lugares e que a justiça seja feita.”
Condenação
Naime foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão pelos crimes relacionados aos atos de 8 de janeiro.
A sentença também prevê perda do cargo público e multa solidária por danos morais coletivos no valor de R$ 30 milhões, juntamente com outros réus condenados no processo.
O coronel foi o último integrante da antiga cúpula da PMDF a se apresentar após a decisão judicial que determinou o início do cumprimento da pena.
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