A Polícia Federal (PF) dividiu em 25 inquéritos a investigação sobre suspeitas de irregularidades no uso irregular de recursos do Ministério da Educação (MEC). Entre os investigados estão pessoas ligadas à família de Lula (PT). A informação é da Folha de S. Paulo.
✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp
As apurações têm origem na Operação Coffee Break, que investiga empresários e agentes públicos por tráfico de influência, fraude em licitação, superfaturamento e corrupção ativa e passiva.
Entre os alvos ligados a Lula estão o empresário Kalil Bittar, ex-sócio de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e Carla Ariane Trindade, ex-mulher de Marcos Cláudio Lula da Silva, filho do petista.
A 4ª fase da operação foi deflagrada ontem (12), com foco em fraudes em licitações no município de Sumaré (SP). A ação resultou na prisão preventiva de um ex-secretário municipal de Educação e em buscas e apreensões.
Segundo a PF, a divisão em 25 inquéritos busca dar maior foco às diferentes frentes de investigação. Kalil Bittar e Carla Ariane já haviam sido alvos de buscas em novembro do ano passado. As defesas de ambos negam irregularidades.
O Ministério Público Federal (MPF) já apresentou a 1ª denúncia relacionada ao caso, envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro e organização criminosa em contratos com a Prefeitura de Sumaré. Kalil e Carla não foram incluídos nesta denúncia.
De acordo com o MPF, os novos inquéritos “provavelmente embasarão o ajuizamento de novas denúncias”, embora o órgão não possa antecipar detalhes das investigações em curso.
A investigação aponta que Bittar recebeu pagamentos da Life Tecnologia Educacional, empresa suspeita de desvios e superfaturamento em prefeituras do interior paulista. Segundo a PF, ele teria atuado na prospecção de negócios do dono da empresa e teve papel relevante no crescimento da companhia junto a autoridades públicas.
O inquérito menciona ainda que Bittar utilizou uma BMW registrada em nome do proprietário da empresa.
Já no caso de Carla Ariane Trindade, os investigadores suspeitam que ela tenha atuado como lobista e praticado tráfico de influência em favor da Life. Ela aparece como intermediadora política e “viabilizadora de acordos” para liberação de verbas federais.
Apesar das suspeitas, Carla não foi impedida de ocupar cargos em prefeituras nem de manter contato com agentes públicos. O MPF concluiu que não há indícios de que ela tenha usado o cargo para cometer irregularidades, diferentemente de outros investigados.