A Justiça de São Paulo nomeou Suzane von Richthofen como inventariante do espólio do médico aposentado Miguel Abdalla Netto, encontrado morto em casa em janeiro deste ano. A decisão foi tomada semanas após Suzane ser formalmente acusada de furto por uma prima, em meio à disputa por uma herança estimada em cerca de R$ 5 milhões.
A nomeação foi assinada pela juíza Vanessa Vaitekunas Zapater, da 1ª Vara da Família e Sucessões do Foro Regional II de Santo Amaro. Na decisão, a magistrada destacou que Silvia Gonzalez Magnani, prima do falecido e autora da acusação de furto, é parente colateral de quarto grau e não tem preferência sucessória.
Conforme o Código Civil, sobrinhos, parentes colaterais de terceiro grau, precedem primos na ordem de vocação hereditária. Como apenas Suzane se habilitou formalmente como herdeira, foi considerada apta a exercer o encargo de inventariante. A juíza registrou que o histórico criminal da condenada não tem relevância jurídica para a definição da inventariança.
Miguel Abdalla Netto era irmão de Marísia von Richthofen, mãe de Suzane. Ele não deixou pais vivos, filhos, companheira reconhecida judicialmente nem testamento. O irmão de Suzane, Andreas von Richthofen, renunciou à herança do tio.
Apesar da nomeação, os poderes de Suzane foram limitados. A decisão autoriza apenas atos de conservação e manutenção dos bens, vedando venda, transferência ou uso pessoal do patrimônio sem autorização judicial. O inventário ficará suspenso até o julgamento da ação que discute a suposta união estável entre Silvia e Miguel.
A decisão foi proferida após Suzane passar a ser investigada pela Polícia Civil por furto. Segundo boletim de ocorrência, ela teria retirado da casa do tio uma lavadora de roupas, um sofá, uma cadeira ou poltrona e uma bolsa com documentos e dinheiro, sem autorização. Os objetos teriam sido levados após a morte do médico.
Em nota, as advogadas de Silvia, Aline Oliveira e Vanessa Piai, afirmaram ter sido surpreendidas com a nomeação antes do fim do prazo para apresentação de documentos que comprovariam a união estável, fixado para 10 de fevereiro. As defensoras informaram que irão recorrer e sustentaram que a decisão não valida a retirada de bens sem autorização judicial.
Miguel morreu em 9 de janeiro de 2026, na residência onde morava sozinho, no bairro do Campo Belo, zona sul de São Paulo. O corpo foi encontrado em avançado estado de decomposição. O atestado de óbito apontou causa indeterminada, e o caso passou a ser tratado como morte suspeita pela Polícia Civil.
Suzane cumpre pena de 39 anos em regime aberto por ter mandado matar os próprios pais em 2002. À época, o próprio Miguel recorreu à Justiça para afastá-la da sucessão, tornando-a indigna de herdar os bens dos pais. A exclusão, no entanto, não se estende automaticamente à sucessão de outros parentes.