PF investiga contratação de empresa de consignados pela Caixa

A Polícia Federal abriu investigação sobre a contratação de uma empresa de empréstimos consignados — com descontos diretos na folha de pagamento — pela Caixa Econômica Federal. A firma, CBA Correspondente Bancário Aqui, é administrada por Victor Guidotti Andrio e Fernando Perrelli Júnior, ambos réus em processos por suspeita de fraudes em empréstimos consignados em outros bancos. As informações são do portal UOL.

Além disso, a CBA tem ligação com a BYX Capital, do grupo Pine Holding, que controla o Banco Pine. Investigadores em São Paulo apuram membros desse grupo por estelionato, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.

De acordo com a Caixa, a contratação seguiu os “rituais de governança” do banco, incluindo cláusulas de compliance, integridade, prevenção à lavagem de dinheiro e combate a fraudes. O banco afirmou ainda que a remuneração paga aos correspondentes respeita os limites definidos pelo Conselho Monetário Nacional (Resolução CMN nº 4.935/2021). A estatal possui atualmente 7,9 mil correspondentes espalhados pelo país.

Correspondente “master” sem experiência

A CBA foi contratada na modalidade Correspondente Caixa Aqui Master (CCA Master), que permite subcontratar outros correspondentes para operacionalizar empréstimos consignados. A empresa, sem experiência prévia na área e com capital social de apenas R$ 1 mil, foi criada em novembro de 2024. Um mês depois, firmou contrato com a Caixa, embora a operação efetiva tenha começado apenas alguns meses depois.

Pelos termos do contrato, a CBA recebe comissão por cada empréstimo fechado, com parcelas descontadas em folha de trabalhadores ativos ou aposentados. Em três meses de operação — descontando o período de suspensão — a empresa já recebeu cerca de R$ 1,8 milhão em comissões.

Suspensão e questionamentos internos

No ano passado, suspeitas de irregularidades levaram a uma apuração interna sobre o consentimento de clientes cujas parcelas estavam sendo debitadas. O contrato chegou a ser suspenso, mas a decisão foi revertida pela gerência de correspondentes da Caixa. Fontes relataram fragilidades no sistema de verificação de identidade dos clientes, apontando risco de fraudes.

A PF enviou ofícios à Caixa solicitando esclarecimentos sobre a contratação, incluindo os processos que levaram à escolha da CBA e da BYX Capital, os responsáveis internos e eventuais punições aplicadas. Em dezembro de 2025, a polícia reforçou o pedido de informações, negando à Caixa acesso à denúncia que motivou a investigação.

Histórico dos sócios e vínculos com o Banco Pine

Quando foi criada, a CBA tinha como única sócia a BYX Capital. Após firmar contrato com a Caixa, a empresa se tornou sociedade anônima, e as cotas da BYX foram transferidas para Victor Guidotti Andrio. Tanto Guidotti Andrio quanto Fernando Perrelli Júnior respondem a processos por venda de empréstimos consignados sem o consentimento dos devedores, incluindo casos de clientes falecidos.

A BYX Capital tem vínculo com a Pine Holding Ltda., da família Pinheiro, que também administra o Banco Pine. Nelson Nogueira Pinheiro, da família controladora, é investigado na Operação Floresta Devastada, da Polícia Civil de São Paulo, por suspeita de fraudes financeiras, ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro. A operação incluiu bloqueio de bens avaliados em R$ 469 milhões e mandados de busca e apreensão. O Banco Pine afirma que Pinheiro não possui mais ingerência sobre a instituição.

Procurada, a Caixa afirmou que todos os procedimentos foram seguidos, mas não detalhou eventuais irregularidades detectadas. O Banco Pine não se pronunciou sobre o vínculo com a BYX Capital e a CBA.



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