O presidente Lula (PT) afirmou nesta sexta-feira (6) que o governo não pretende transferir à população de baixa renda o custo de eventuais medidas de ajuste fiscal. Em meio às cobranças do mercado financeiro por cortes de despesas e maior controle da dívida pública, o petista defendeu a política econômica de sua gestão e declarou que o país mantém compromisso com a responsabilidade fiscal.
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A declaração foi feita durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), no Ministério de Minas e Energia. Ao comentar as críticas à condução das contas públicas, Lula questionou os parâmetros utilizados pelo mercado para avaliar a situação econômica brasileira e comparou o endividamento do país ao de outras economias, como Estados Unidos, França, Japão e Itália.
“Quantos países do mundo têm a seriedade fiscal que temos?”, questionou o presidente. Na sequência, pediu ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, que apresentasse dados sobre a dívida pública e argumentou que a avaliação do desempenho econômico precisa considerar as condições encontradas pelo governo quando assumiu, em 2023.
Lula afirmou que recebeu o país com déficit de 2,8% e sustentou que a proposta orçamentária encaminhada pelo Executivo prevê superávit. O presidente, entretanto, reconheceu que os resultados econômicos ficaram abaixo de suas expectativas.
“Agora estamos terminando o ano menos exitoso do que eu gostaria”, declarou. Na avaliação do petista, o governo poderia ter alcançado indicadores mais expressivos de crescimento econômico, emprego e renda, mas afirmou que a gestão entregou aquilo que considerava possível diante das circunstâncias.
Ao defender a manutenção dos programas sociais, Lula criticou o que classificou como exigências excessivas do sistema financeiro. “A única coisa que ele tem que saber é que o pobre não pagará a conta”, afirmou, acrescentando que não pretende submeter a população mais vulnerável a sacrifícios para equilibrar o orçamento.
O presidente também recorreu a um ensinamento de sua mãe, dona Lindu, para justificar sua visão sobre o controle das despesas. Segundo ele, a orientação de não gastar mais do que se ganha acompanha sua trajetória pessoal e foi incorporada à administração pública. Lula, porém, ressaltou que o endividamento pode ser justificável quando destinado à construção de ativos e à ampliação da infraestrutura, desde que haja capacidade de pagamento.
A manifestação ocorre em um momento de crescente pressão de economistas e investidores por medidas que contenham o avanço das despesas obrigatórias, como Previdência, assistência social e folha de pagamento do funcionalismo. A preocupação está relacionada à sustentabilidade da dívida pública e à capacidade do governo de cumprir as metas fiscais nos próximos anos.
A falta de sinalizações mais contundentes de controle dos gastos também alimenta incertezas sobre a política econômica, com possíveis reflexos nas expectativas de inflação, no câmbio e na trajetória da taxa básica de juros.
A equipe econômica e integrantes do governo defendem que o reequilíbrio das contas não deve depender exclusivamente da redução de despesas sociais.
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