Uma disputa judicial entre a fabricante mineira Suavetex e a farmacêutica Cimed envolve acusações de apropriação de fórmulas industriais e concorrência desleal. A queixa-crime, apresentada à Justiça de São Paulo, aponta sete executivos da Cimed como responsáveis por uma suposta fraude envolvendo seis produtos de higiene bucal. O caso também cita o apresentador Luciano Huck e o executivo Roberto Marinho Neto, da Globo, convocados como testemunhas para esclarecer a relação societária que mantêm com a farmacêutica.
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Segundo a Suavetex, a Cimed teria obtido informações técnicas e formulações desenvolvidas pela fabricante durante negociações comerciais que incluíam a possibilidade de aquisição da empresa por R$ 120 milhões. O negócio não foi concluído, mas os seis produtos acabaram lançados pela farmacêutica com a marca Super, em dezembro de 2025.
A fabricante afirma que foi procurada em abril de 2025 para desenvolver três géis dentais e três enxaguantes bucais, todos com proposta de ação por 12 horas, presença de zinco e sem parabenos. As fórmulas completas, com os percentuais dos componentes, teriam sido encaminhadas à Cimed em julho daquele ano. Inicialmente, os itens seriam produzidos pela Suavetex e comercializados com a marca Carmed.
Em 31 de julho de 2025, os seis produtos foram notificados à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) com a identificação Carmed e a Suavetex indicada como fabricante. Dias depois, em 5 de agosto, o presidente da Cimed, João Adibe, comunicou ao proprietário da fabricante mineira, Ronaldo Alves Andrello, que a marca seria substituída.
A queixa-crime também menciona que, em outubro daquele ano, os mesmos seis produtos foram novamente notificados à Anvisa, dessa vez sob a marca Super e com a empresa Icefresh indicada como fabricante. A Suavetex sustenta que as formulações foram reproduzidas sem autorização. Um laudo elaborado pela responsável técnica da fabricante apontou correspondência entre os componentes descritos nos rótulos dos produtos.
Negociação de R$ 120 milhões
A denúncia também questiona as tratativas para a compra da Suavetex. De acordo com a fabricante, João Adibe apresentou uma oferta de R$ 120 milhões pela totalidade da empresa. Andrello teria aceitado a proposta em 25 de setembro de 2025, mas afirma que deixou de receber respostas do executivo cinco dias depois.
Para a Suavetex, a sequência das negociações indica que informações estratégicas e dados técnicos dos produtos foram obtidos durante as tratativas comerciais, sem que a aquisição fosse efetivada. A empresa pede a responsabilização de sete executivos da farmacêutica por concorrência desleal.
Sociedade com Huck e Globo
A presença de Luciano Huck e Roberto Marinho Neto no processo está relacionada à Cilab S.A., sociedade criada por Cimed, Globo e Joatinga, empresa controlada pelo apresentador. A composição prevê participação de 70% da farmacêutica, 25% da emissora e 5% da empresa de Huck.
A Suavetex quer esclarecer se a substituição da marca Carmed pela Super e o lançamento dos produtos foram discutidos entre os sócios da Cilab ou no Comitê de Marketing e Mídia da sociedade. A fabricante questiona especialmente a proximidade entre a mudança da marca, comunicada em agosto de 2025, e a aprovação da associação empresarial pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Huck e Marinho Neto, entretanto, não são acusados de participação na suposta fraude. Os dois foram relacionados como testemunhas para prestar esclarecimentos sobre a estrutura societária e as decisões envolvendo as marcas.
Em posicionamento divulgado por sua assessoria, Huck afirmou que a Cilab atua exclusivamente na exploração das marcas de higiene infantil João e Maria. Segundo ele, a linha Super não integra o portfólio da sociedade e, portanto, não está entre os produtos submetidos às decisões do comitê do qual participa.
A Globo apresentou argumento semelhante. A emissora declarou que a Cilab não teve participação na relação comercial entre Cimed e Suavetex e que as ações publicitárias da marca Super foram contratadas e pagas diretamente pela farmacêutica.
Cimed contesta acusações
A Cimed negou as irregularidades apontadas pela fabricante mineira. Em nota, afirmou que suas relações com fornecedores são conduzidas com transparência, boa-fé e respeito aos contratos e à legislação.
A farmacêutica também classificou a queixa-crime como uma tentativa da Suavetex de reverter decisões desfavoráveis obtidas em disputas judiciais anteriores na esfera cível. Sobre a linha Super, reforçou que a marca pertence exclusivamente à Cimed, não integra a sociedade com a Globo e teve sua campanha publicitária no BBB 26 contratada e paga diretamente pela empresa.
A companhia informou ainda que não comentará os demais pontos por se tratar de processo em andamento e sujeito a segredo de Justiça.
A Suavetex pede a condenação dos sete executivos citados na ação, além de indenização mínima de R$ 10 milhões por danos morais e reparação por eventuais prejuízos materiais.
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