O vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana, deve assumir o comando do país após a renúncia de Santiago Peña, anunciada nesta quinta-feira (5), em meio à crise política e financeira provocada pelo colapso do Ueno Bank. Aos 52 anos, Alliana tem trajetória ligada ao Partido Colorado, mesma legenda do presidente que deixa o cargo, e acumula passagens pelo Executivo e pelo Legislativo paraguaios.
✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp
Hércules Pedro Lorenzo Alliana Rodríguez, conhecido como Pedro Alliana, nasceu em Pilar, no departamento de Ñeembucú. É casado com Fabiana María Souto, deputada paraguaia, e tem quatro filhos. Antes de ingressar na política, trabalhou no comércio e também teve passagem pelo esporte. Na juventude, integrou a seleção paraguaia de basquete.
Formado em Relações Internacionais pela Universidade Autónoma San Sebastián, Alliana iniciou sua trajetória eleitoral em 2006, quando disputou a prefeitura de Pilar, mas não foi eleito. Dois anos depois, chegou ao governo departamental de Ñeembucú, cargo que ocupou até 2012.
Em 2013, foi eleito deputado nacional e permaneceu na Câmara dos Deputados por dez anos. Durante esse período, chegou à presidência da Casa e ocupou posições de liderança no Partido Colorado, que também comandou entre 2015 e 2023, segundo registros de sua trajetória política.
A aproximação com o ex-presidente Horacio Cartes, uma das principais lideranças da legenda, contribuiu para consolidar sua influência dentro do partido. Em 2023, Alliana deixou o Legislativo para disputar a vice-presidência na chapa de Santiago Peña. Os dois venceram as eleições e assumiram o governo em agosto daquele ano.
Em abril de 2026, o vice-presidente anunciou sua pré-candidatura à Presidência nas eleições previstas para 2028. A iniciativa recebeu apoio de Peña e de Cartes, que passaram a respaldar seu projeto político para a próxima disputa nacional.
Crise política e sucessão
A chegada de Alliana à Presidência ocorre em meio à crise desencadeada pela intervenção do Banco Central paraguaio no Ueno Bank, que deixou milhões de clientes sem acesso às contas. A situação provocou pressão sobre o governo e levou à abertura de um processo de impeachment contra Peña na Câmara dos Deputados.
O vice-presidente também foi alvo de uma iniciativa de destituição apresentada por parlamentares da oposição. A Câmara, porém, rejeitou a abertura do processo contra Alliana por 48 votos a 30, afastando, naquele momento, o risco de impedimento do político.
Já o pedido de impeachment contra Peña recebeu 78 votos favoráveis na Câmara e foi encaminhado ao Senado.
Sua opinião sobre esta matéria importa.
