O líder da oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), declarou ser contrário à adoção do voto distrital misto. A posição foi divulgada na noite de quinta-feira (29), após consulta aos integrantes da bancada que lidera.
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“Como líder da oposição na Câmara dos Deputados, depois de ouvir a bancada que lideramos, somos contrários à mudança da legislação eleitoral sobre o voto distrital misto”, escreveu o deputado.
A manifestação ocorre em meio à articulação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), com partidos do Centrão para alterar o sistema de escolha dos deputados. A proposta prevê uma transição a partir de 2030 e a adoção integral do novo modelo em 2034.
PL é o principal beneficiado pelo sistema atual
A resistência do PL está relacionada ao impacto que a mudança pode produzir na distribuição das cadeiras. No modelo proporcional de lista aberta, os votos de um candidato também são contabilizados para o partido ou federação. Assim, candidatos com votação expressiva contribuem para a eleição de outros integrantes da legenda.
Nas eleições de 2026, os dois deputados federais mais votados do país foram do PL. Nikolas Ferreira (PL-MG) recebeu 3.119.318 votos, enquanto Lucas Pavanato (PL-SP) teve 3.038.438.
A votação dos dois parlamentares contribuiu para a eleição de outros 13 deputados do PL em Minas Gerais e sete em São Paulo.
O partido elegeu 121 deputados para a legislatura que começa em fevereiro de 2027. São 24 cadeiras a mais do que na composição eleita em 2022, o que consolidou a legenda como a maior bancada da Câmara.
Como funciona o voto distrital misto
A proposta prevê a divisão das cadeiras em dois modelos. Metade dos deputados seria eleita por votação em distritos eleitorais. A outra metade seria escolhida por listas partidárias.
Nesse formato, a votação individual de candidatos populares teria influência diferente sobre a distribuição das vagas. O modelo reduziria o efeito dos chamados puxadores de votos, que ajudam a eleger outros candidatos da mesma legenda no sistema atual.
A mudança ainda depende de aprovação do Congresso Nacional. Por se tratar de uma proposta de emenda à Constituição (PEC), são necessários três quintos dos votos dos deputados e dos senadores, em dois turnos de votação em cada Casa.
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