Bolsa caminha para pior semana pós-eleição em 37 anos

A Bolsa brasileira caminha para registrar seu pior desempenho em uma primeira semana após eleições presidenciais desde 1989. Até o fechamento de quinta-feira (29), o Ibovespa acumulava desvalorização de aproximadamente 17,5% em relação ao último pregão antes do segundo turno, realizado em 25 de outubro. A reação negativa ocorreu após a reeleição de Lula (PT) e a revisão das expectativas dos investidores sobre os rumos da política econômica.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

O principal índice da B3 encerrou a segunda-feira (26), primeiro pregão após a votação, com queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos. Foi o maior recuo diário desde março de 2020, durante o início da pandemia de Covid-19. A intensidade da desvalorização levou ao acionamento do circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações em momentos de fortes oscilações. A ferramenta não era utilizada desde a crise sanitária.

Na quinta-feira (29), o Ibovespa voltou a cair, com baixa de 1,06%, encerrando o pregão aos 169.186,42 pontos. No mercado de câmbio, o dólar também reagiu ao resultado eleitoral e chegou a R$ 5,40 no fechamento da segunda-feira, após valorização de 8,21% em apenas um dia.

Parte da explicação para a intensidade das perdas está no comportamento do mercado antes da votação. Desde o primeiro turno, em 4 de outubro, investidores ampliaram as apostas em uma possível alternância de poder, associando uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) à expectativa de uma política fiscal mais voltada ao controle das despesas públicas e à redução dos juros de longo prazo.

Entre os dois turnos, o Ibovespa acumulou valorização de 6,75%, impulsionado pela expectativa de mudança no comando do Executivo. Com a confirmação da vitória de Lula, parte dos ganhos obtidos nesse período foi revertida rapidamente, em um movimento de revisão das posições financeiras.

Analistas também apontam que o mercado havia incorporado um cenário excessivamente otimista antes da eleição. Dessa forma, a queda não estaria relacionada apenas ao resultado das urnas, mas também à correção das expectativas que sustentaram a valorização anterior das ações.

Outro fator de pressão é a preocupação com a trajetória da dívida pública e a capacidade do próximo governo de apresentar medidas para equilibrar as contas. A perspectiva de manutenção de juros elevados pode aumentar o custo de financiamento das empresas, reduzir investimentos e limitar o crescimento econômico.

O desempenho desta semana contrasta com o histórico de eleições presidenciais anteriores. Levantamento citado pela Exame aponta que, entre 1989 e 2022, o Ibovespa encerrou a primeira semana após o segundo turno em alta na maioria dos pleitos. A maior queda semanal registrada até então havia ocorrido em 1994, após a eleição de Fernando Henrique Cardoso, quando o índice recuou 8,24%.

Sua opinião sobre esta matéria importa.



Fontes – Link Original

Classificado como 5 de 5

Compartilhe nas suas Redes Sociais

Facebook
Twitter
WhatsApp

Parceiros TV Florida