O empresário Léo Slezynger, ligado à petroquímica Unigel, convidou Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula (PT), para integrar o conselho de uma organização ambiental criada por ele. A iniciativa foi articulada pela lobista Roberta Luchsinger, que se apresentava como sócia de Lulinha e sugeriu remunerá-lo pelo cargo como forma de aproximar o projeto do governo federal. As informações são do portal Metrópoles.
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Em mensagens trocadas em abril de 2023, Luchsinger relacionou a participação de Lulinha à possibilidade de captar recursos destinados ao Fundo Amazônia. Naquele período, o então presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou que buscaria US$ 500 milhões para o fundo ao longo de cinco anos.
“Chama p o conselho. Paga um salário de conselheiro. Faz ele atuar para você”, escreveu a lobista a Slezynger. Na sequência, ela associou a presença do filho do presidente à possibilidade de obter apoio do governo: “Você acha que o pai dele vai querer beneficiar qual fundo? O que o filho é conselheiro e que recebe por isso. Funciona assim… toma lá, da cá”.
A conversa indica que a inclusão de Lulinha no projeto era vista como uma forma de ampliar o acesso a recursos e de favorecer a interlocução com o Planalto. Segundo as mensagens, Slezynger afirmou que já dispunha de uma estrutura para receber doações.
ONG previa Lulinha em conselho estratégico
Após receber as sugestões de Luchsinger, Slezynger passou a trocar mensagens diretamente com Lulinha sobre a iniciativa. O empresário mencionou a intenção de captar recursos para criar um fórum de sustentabilidade e estabelecer novas reservas ambientais. Também propôs uma conversa sobre a composição do conselho e a participação do filho do presidente.
Em maio de 2023, Slezynger enviou à lobista um diagrama com a estrutura planejada para a organização Brasil Climate Change (BRACC). A proposta previa Lulinha, a então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e a própria Luchsinger no chamado conselho estratégico. O empresário e Roberto Klabin integrariam o conselho empresarial, enquanto a então ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, aparecia na composição do conselho técnico.
Ao ser consultado sobre a participação, Lulinha respondeu que seria necessário verificar se ministros poderiam ocupar cargos em entidades privadas. Slezynger concordou e reiterou que considerava importante a presença do filho do presidente no conselho.
A organização chegou a desenvolver um site, criado em abril de 2025, e planejou um evento em Paraty, no Rio de Janeiro, naquele ano. A atividade, porém, foi adiada.


Mensagens citam atuação em favor da Unigel
As conversas também mencionam a atuação de Lulinha em favor dos interesses da Unigel. Em julho de 2023, Slezynger agradeceu a ele pelo trabalho junto ao presidente da República em benefício da empresa. Lulinha respondeu: “Estamos todos aqui torcendo. Feliz que estamos ajudando. Agora é vc fazer o gol e nós saímos (sic) pro abraço”.
A petroquímica foi beneficiada por um contrato com a Petrobras para o processamento de gás natural. O acordo acabou anulado por decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), que considerou a operação prejudicial à estatal.
O possível tráfico de influência relacionado à Unigel é investigado em inquérito em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Flávio Dino.
Em abril de 2023, o governo de Biden anunciou a intenção de buscar US$ 500 milhões para o Fundo Amazônia nos cinco anos seguintes. O Congresso dos Estados Unidos aprovou US$ 100 milhões, valor que, segundo as informações divulgadas, foi efetivamente repassado.
As mensagens sobre a criação da ONG e a participação de Lulinha foram reveladas inicialmente pela coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo. O material citado na reportagem registra as tratativas entre Luchsinger, Slezynger e o filho do presidente, mas não comprova, por si só, que recursos do Fundo Amazônia tenham sido destinados à organização.
