O advogado criminalista Daniel Bialski, que defende Daniel Vorcaro nas investigações envolvendo o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou que a voz nos áudios divulgados pela revista Veja é a do banqueiro. As gravações mencionam supostos pagamentos relacionados ao Instituto Lula e ao documentário sobre o Lula (PT).
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“A voz realmente é dele nos áudios, porém não sei quando e em qual circunstâncias isso foi gravado”, diz Bialski.
O advogado afirmou que assumiu a defesa de Vorcaro em agosto, com o objetivo de elaborar uma nova proposta de colaboração premiada, e que não participou das negociações anteriores. Segundo ele, o cliente nunca tratou desse assunto em conversas com a defesa e não prestou depoimento à Polícia Federal (PF) ou a outro órgão sobre os fatos relatados.
Em nota enviada à imprensa, Bialski declarou que somente Vorcaro poderá confirmar o conteúdo da gravação. “Só o cliente, futuramente, poderá confirmar ou não o teor dos fatos”, afirmou.
Áudio menciona pagamentos ligados a documentário
Segundo reportagem da Veja, Vorcaro teria afirmado, em uma proposta de delação encaminhada à Procuradoria-Geral da República (PGR), que pagou cerca de R$ 30 milhões relacionados ao Instituto Lula e ao financiamento de um filme sobre o presidente. O documentário Lula foi lançado em 2024, sob direção do cineasta Oliver Stone.
Na gravação divulgada pela revista, a voz atribuída ao banqueiro diz: “O filme do Lula eu coloquei acho que até mais, só que o do Lula foi por fora. Do Lula foi errado. Do Flávio [Bolsonaro] não foi porque ele pediu patrocínio”.
De acordo com a publicação, Vorcaro teria relacionado os pagamentos a tentativas de obter acesso a fundos de pensão ligados ao Banco do Brasil, à Caixa e à Previ. A reportagem também atribui ao ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto a intermediação das negociações. Não há, no material apresentado, confirmação de que a operação tenha sido concluída.
A Veja informou que o relato constaria de um anexo apresentado à PGR em junho, durante as tratativas de uma segunda proposta de delação, que não avançou.
PF e PGR negam depoimento sobre o caso
A Polícia Federal declarou que Vorcaro não prestou depoimento com o conteúdo descrito na reportagem e não entregou à instituição documentos, anexos ou informações sobre os fatos. A corporação também informou que as propostas de colaboração apresentadas pela defesa não foram aceitas por não atenderem aos requisitos legais.
A PGR, por sua vez, afirmou que as negociações foram conduzidas por advogados e que não houve interlocução direta entre Vorcaro e representantes do órgão. A Procuradoria também confirmou que não houve depoimento oral do banqueiro durante as tratativas.
As propostas de delação foram rejeitadas, segundo as autoridades, por não atenderem aos requisitos legais. A divulgação do áudio não comprova, por si só, a veracidade das acusações atribuídas ao banqueiro.
Instituto Lula nega recebimento de recursos
Paulo Okamotto, ex-presidente do Instituto Lula, negou ter recebido dinheiro de Vorcaro ou participado da produção e captação de recursos para o documentário de Oliver Stone.
“Em relação ao documentário Lula, de Oliver Stone, essa é uma iniciativa exclusiva do próprio Oliver Stone, e não do Instituto Lula. O Instituto Lula e eu nunca estivemos envolvidos na produção e na captação de recursos. Nunca recebemos recursos para a realização do filme.”
A campanha de Lula também contestou a reportagem da Veja. Em nota, classificou as acusações como “irresponsável” e afirmou que não há registro de depoimento ou de delação com esse conteúdo aceita pelas autoridades. A campanha declarou que adotará medidas judiciais cabíveis.
A defesa de Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, também rejeitou as informações divulgadas. Em nota, chamou o relato de “narrativa falsa, fictícia e unilateral, sem valor probatório” e pediu investigação sobre o vazamento de supostos trechos da proposta de colaboração.
