A campanha do presidente Lula (PT) divulgou hoje (7) um documento com orientações a lideranças, militantes e ativistas para a mobilização no segundo turno da eleição presidencial. O texto fala em “garantir a virada”. No domingo (4), Lula teve 45,16% dos votos. Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno à frente, com 47,03%.
O material circula em grupos do partido e reconhece o resultado. “No diálogo com as pessoas, precisamos mostrar que entendemos o recado das urnas e o sentimento de mudança”, diz o documento. A orientação aparece sob o título “Humildade no convencimento”.
A campanha admite que o eleitor quer outra direção. “Os brasileiros querem manter as conquistas dos governos Lula, mas também querem mudanças”, afirma o texto. Em seguida, orienta os militantes a repetirem uma frase: “Mudança não pode ser retrocesso”.
Lista de acusações contra Flávio
O documento reserva um eixo inteiro ao adversário. A ordem é “mostrar o que representa um governo de Flavio Bolsonaro”. O texto lista seis afirmações e não apresenta fonte, dado ou proposta do candidato do PL que as sustente.
Segundo o material, se Flávio vencer, vai “congelar as aposentadorias e o BPC” e “privatizar a Petrobrás, aumentando o preço dos combustíveis”. O texto também afirma que ele vai “manter a Escala 6X1 e retirar direitos dos trabalhadores”.
A lista segue com política externa e instituições. O documento diz que “o Brasil será comandado por Trump, que levará nossas riquezas para os americanos”. Afirma ainda que Flávio fará “o retrocesso que o pai não teve força para fazer, já que terá maioria no Congresso e no STF“. O último item diz que o candidato “não respeita as mulheres”.
Campanha desiste do eleitor de Flávio
O primeiro eixo define o alvo. A campanha mira os 33 milhões de brasileiros que não foram às urnas e parte dos 9 milhões que votaram em outros candidatos. O texto manda divulgar que quem se absteve no primeiro turno pode votar no segundo.
O eleitorado do adversário fica fora do esforço. “Nossos militantes não podem perder tempo e energia com eleitores bolsonaristas consolidados”, diz o documento.
A aposta declarada é em “uma onda de mobilização de militantes, ativistas, da base social progressista e do lulismo nas periferias”. As ações devem priorizar as periferias urbanas e o interior do país.
Dois domingos de atos
O comitê fixou um calendário unificado. Os dias 11 e 18 de outubro, dois domingos, foram definidos como Dias Nacionais de Mobilização. Estão previstas caminhadas, marchas, carreatas, bandeiraços e panfletagens nos estados.
O documento pede ações diárias e registro de todas elas. “Fazer e divulgar, pra dar volume de AÇÃO”, orienta o texto.
