O PL terá a maior bancada do Senado em 2027, com 28 senadores, após eleger 19 candidatos no primeiro turno das eleições deste domingo (4). O número representa a maior bancada de um partido no início de uma legislatura desde a Constituição de 1988. Para eleger o presidente da Casa, porém, serão necessários 41 votos em votação secreta.
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A diferença de 13 votos mostra que o PL precisará de outras bancadas para eleger o sucessor de Davi Alcolumbre (União-AP). A articulação já começou. O presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, afirmou que o PL trabalhará pela candidatura de Rogério Marinho (PL-RN) e citou PP, União Brasil e Republicanos como possíveis aliados.
“O Rogério é o que reúne as melhores condições para ser presidente do Senado, é muito preparado. Nós vamos ter o PP do nosso lado, vamos ter o União Brasil, vamos ter o Republicanos. Nós fazemos maioria lá”, a declaração foi dada ao SBT News neste domingo (4). Valdemar também descartou um acordo com Alcolumbre para a próxima legislatura.
A direita não se resume ao PL
O tamanho da bancada liberal, sozinho, não explica a correlação de forças que se formará no Senado.
Um levantamento publicado após a eleição aponta que ao menos 49 senadores da próxima legislatura já defenderam o impeachment de ministros do Supremo, ainda que alguns tenham apresentado ressalvas. O grupo reúne parlamentares de diferentes partidos, incluindo PL, PP, União Brasil, Republicanos, Novo, MDB e Podemos.
O número é superior aos 41 votos necessários para eleger o presidente do Senado. Também fica abaixo dos 54 votos correspondentes a dois terços da Casa, necessários para o afastamento definitivo de um ministro em um julgamento de impeachment.
A comparação, porém, não significa que os 49 parlamentares formarão uma bancada única na eleição da Mesa. A votação para presidente é secreta, e o apoio declarado ao impeachment não determina, por si só, o voto para o comando da Casa.
É justamente nesse espaço que entram as negociações com partidos de centro e centro-direita.
Centrão será decisivo
PP, União Brasil e Republicanos terão papel relevante na disputa. O resultado eleitoral mostra que o campo contrário ao governo não estará concentrado em uma única legenda.
O próprio levantamento sobre o impeachment inclui nomes de partidos que tradicionalmente integram o chamado Centrão. Entre eles estão Guilherme Derrite (PP-SP), além de parlamentares de União Brasil e Republicanos.
Por isso, a questão para o PL não é apenas reunir parlamentares que defendem o impeachment. É transformar essa convergência em uma maioria eleitoral para a Presidência do Senado.
Valdemar já trabalha nessa direção ao mencionar PP, União e Republicanos como aliados de Marinho. A articulação, contudo, dependerá das negociações sobre a composição da Mesa e da relação das bancadas com o próximo governo.
Maior bancada não garante a Presidência
O histórico recente mostra que o tamanho da bancada não determina o resultado.
Em 2023, o PL era a maior bancada do Senado e lançou Rogério Marinho para a Presidência. Ele recebeu 32 votos, contra 49 de Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Dois anos antes, em 2019, Davi Alcolumbre venceu a disputa com 42 votos, apenas um acima do mínimo necessário.
Em 2025, Alcolumbre voltou à Presidência com uma votação muito mais ampla: 73 dos 81 votos.
A eleição de 2027, portanto, será decidida pela capacidade de cada candidatura de reunir diferentes bancadas em uma votação secreta.
Alcolumbre enfrenta novo cenário no Amapá
O presidente do Senado também chega à disputa depois de derrotas de aliados no Amapá.
Antônio Furlan (PSD) venceu o governo estadual com 62,75% dos votos, derrotando Clécio Luís (União), apoiado por Alcolumbre. Na disputa pelo Senado, Rayssa Furlan (Podemos) e Lucas Barreto (PSD) foram eleitos, enquanto a candidata apoiada por Alcolumbre, Allyne Serrão (União), ficou fora.
O resultado reduz o espaço político do grupo de Alcolumbre no estado, embora não determine sozinho sua capacidade de articulação nacional.
Há duas cadeiras que ainda podem mudar
A composição projetada para 2027 ainda não está completamente fechada.
Dois senadores que têm mandato até 2031 avançaram ao segundo turno das eleições para governador: Omar Aziz (PSD-AM), no Amazonas, e Professora Dorinha (União-TO), no Tocantins. A votação será em 25 de outubro.
Se Aziz vencer, sua cadeira será ocupada pela primeira suplente, Cheila Moreira (PT). No caso de Dorinha, a primeira suplente é Professora Lu, do União Brasil.
A situação de Deltan Dallagnol (Novo-PR) também permanece sob análise judicial. Ele foi eleito para o Senado, mas o registro da candidatura ainda não tem decisão definitiva do TSE. O ministro Kassio Nunes Marques suspendeu no domingo a decisão que havia indeferido a candidatura e restabeleceu provisoriamente o registro.
O resultado presidencial também pesa
Valdemar afirmou que o resultado da disputa pelo Palácio do Planalto terá influência na eleição do Senado. A articulação ocorrerá, portanto, em duas frentes: a formação da maioria interna da Casa e a relação com o próximo governo.
Para o PL, a conta inicial é clara: 28 cadeiras próprias e 13 votos adicionais para alcançar os 41 necessários. O desafio está em transformar a expansão eleitoral da direita em uma maioria política capaz de vencer uma eleição secreta.
