A advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, cancelou reservas de um jato e de um helicóptero de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pouco após ter virado pública a notícia da prisão do banqueiro. Os voos estavam programados para 19 de novembro do ano passado, com saída de Brasília para São Paulo em um Legacy 650 e, depois, de São Paulo para Campos do Jordão em um helicóptero EC-155.
✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp
A informação foi obtida pelo jornal O Globo a partir das conversas mantidas entre a advogada e funcionários encarregados de organizar os voos dos clientes da empresa.
As reservas haviam sido feitas com quase um mês de antecedência. O cancelamento ocorreu na manhã de 18 de novembro, um dia depois de Vorcaro ser preso no aeroporto de Guarulhos enquanto tentava deixar o país. As informações constam de mensagens trocadas no WhatsApp entre Viviane e funcionários da Prime You, empresa responsável pela gestão das aeronaves de Vorcaro e da qual o banqueiro era um dos sócios.
Viviane aparece identificada nas mensagens da Prime You como “Sra.Viviane Barci I Cotista Legacy (PP-NLR) e EC-155”. Em 24 de outubro, às 21h25, ela havia solicitado os voos para o feriado da Consciência Negra, que no ano passado caiu numa quinta-feira.
Na mensagem, a advogada, que fechou um contrato de R$ 130 milhões com o Master, escreveu: “(…) Gostaria de agendar um helicóptero para Campos do Jordão. Saindo de São Paulo dia 20/11 às 10h e retornando no dia 23/11 às 16h. 8 pessoas”. A Prime You programou a logística conforme o pedido.
Na manhã de 18 de novembro, porém, Viviane pediu o cancelamento: “Bom dia! Tudo bem? Informo o cancelamento do vôo de amanhã. Atenciosamente, Viviane”. Um minuto depois, a funcionária Fernanda Melo respondeu: “Sra. Viviane, bom dia! Irei seguir com o cancelamento, agradeço por informar. Um ótimo dia”.
Logo depois, a advogada voltou atrás: “Fernanda, cancele o cancelamento rsrs”. Cinco minutos mais tarde, decidiu cancelar definitivamente a viagem: “Desculpe, pode cancelar. Obrigada”.
As mensagens mostram que os contatos entre Viviane e a Prime You eram frequentes ao longo de 2025. Nas solicitações, ela não mencionava o nome de Alexandre de Moraes.
Em 11 de novembro de 2025, às 17h40, por exemplo, escreveu: “Boa tarde! Temos um voo reservado para amanhã às 19h30 saindo de BSB para CGH. Conseguem antecipar para as 14h?”.
A funcionária Brenda conseguiu antecipar o voo. Viviane, então, acrescentou: “Caso* (o pouso)* seja no* (aeroporto)* Catarina precisaremos do helicóptero”. O pedido foi atendido, seguido de uma oferta adicional: “Sra. Viviane, poderia me confirmar se irá querer catering?”.
A advogada respondeu: “Vc tem o cardápio atualizado para me mandar?”. Depois de receber o menu, escolheu: “Tartar de salmão com barquetes folheadas, Caesar frango- alface romana, Torta mousse de chocolate com farofa de paçoca e americana, croutons e lascas de parmesão”. Em seguida, especificou: “Para 2 pessoas”.
Em outra viagem, solicitada para outubro do ano passado, Viviane informou, em 10 de outubro, o número de passageiros: “Boa tarde, serão 2 passageiros e 1 pet”.
A maior parte dos voos reservados por Viviane ocorreu no Legacy 650, prefixo PP-NLR. O avião era oficialmente pertencente, à época, a uma empresa de Vorcaro. Alexandre de Moraes nega ter viajado na aeronave, embora um vídeo tenha registrado o ministro em um dos voos. Em nota oficial, o gabinete de Moraes afirmou que ele “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro”.
Além das viagens, a relação comercial entre Viviane e empresas ligadas ao banqueiro também entrou no radar da investigação. Segundo a PF, em 12 de maio de 2025, o escritório da advogada firmou um contrato de R$ 50 milhões com uma empresa de Vorcaro para “prestação de serviços e honorários advocatícios”. O acordo se somava a outro contrato, de R$ 131 milhões, firmado com o Banco Master.
Ainda de acordo com as investigações, parte dos R$ 50 milhões seria paga por meio de cotas de um jato e de um helicóptero. Investigadores da PF desconfiam que o contrato tenha sido utilizado para encobrir a propriedade dos bens repassados por Vorcaro.
