Em entrevista ao programa ALive nesta sexta-feira (11), o advogado criminalista Tracy Reinaldet, da equipe jurídica de Flávio Bolsonaro, revelou, em primeira mão, que Karina Gama, dona da produtora de “Dark Horse”, tem salvas todas as mensagens sobre a coação que sofreu para realizar uma delação premiada.
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Ontem (10), ao cumprir mandados de busca contra a empresária, agentes da Polícia Federal (PF) apreenderam um documento no qual Karina relata pressões que recebeu para delatar o candidato à Presidência. No documento, ela diz que foi procurada por três pessoas em momentos distintos. O documento foi apresentado como uma declaração juramentada e registrada em cartório.
Entre elas estão o empresário Fernando Sarney, um pastor evangélico conhecido da produtora e um jornalista. De acordo com o relato de Karina, os três teriam mencionado a possibilidade de uma colaboração durante o período em que a produtora passou a ser alvo de apurações sobre possíveis irregularidades no financiamento do filme.
Na conversa com Sarney, o empresário teria dito ter “grande proximidade com o ministro (Flávio Dino)”, que autorizou ontem operação contra ela.
“Durante a conversa, o Dr. Fernando Sarney ofereceu-me apoio jurídico e afirmou possuir grande proximidade com o Ministro Flávio Dino. Na mesma ocasião, declarou que poderia me apoiar caso eu tivesse interesse em realizar uma ‘delação premiada’.” Karina afirmou que recusou a proposta. “Diante da abordagem, não manifestei interesse em realizar colaboração premiada, pois não identificava — e continuo não identificando — qualquer razão para adotar tal medida”, declraou Karina.
De acordo com Tracy, “a declaração dela não é a única prova”: “Existiria também toda a conversa que ela teve com essas pessoas através do WhatsApp, uma ata notarial dessas conversas”.
“Não sei se existe ou não alguma gravação, mas é algo gravíssimo que tem que ser apurado”, continuou o advogado. “O Estado Democrático de Direito não admite esse tipo de procedimento”.
