Três dos 27 superintendentes estaduais da Polícia Federal (PF) decidiram não assinar a nota de apoio ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, divulgada nesta quarta-feira (9). A ausência dos representantes de Goiás, Paraíba e Espírito Santo expôs a cautela de parte da cúpula da PF diante da crise institucional envolvendo decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).
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Ficaram fora do documento Marcela Rodrigues, superintendente em Goiás; Carlos Henrique Oliveira, da Paraíba; e Marcio Magno Carvalho Xavier, do Espírito Santo. O manifesto declara “integral apoio e solidariedade” a Andrei e ao diretor de inteligência policial, Leandro Almada da Costa.
Interlocutores dos três superintendentes afirmaram ao jornal O Globo que os delegados consideraram inadequado se posicionar publicamente neste momento. A avaliação foi de que a manifestação poderia colocar ainda mais pressão sobre a corporação e aprofundar o embate entre integrantes da PF e do Supremo.
Marcela Rodrigues defendeu que a disputa seja tratada pelas vias institucionais, sem a publicação de manifestos. “Questões de natureza jurídica e institucional devem ser discutidas e solucionadas nos processos e nas instâncias próprias, e não por meio de manifestos”, afirmou.
A superintendente de Goiás também declarou ter respeito por Andrei Rodrigues e reconhecer a importância de sua gestão. Disse ainda respeitar os colegas que decidiram aderir ao documento.
A manifestação ocorreu após uma sequência de decisões judiciais envolvendo a direção da Polícia Federal. Andrei Rodrigues e Leandro Almada haviam sido afastados de suas funções por determinação do ministro André Mendonça, do STF. Posteriormente, o ministro Flávio Dino determinou o retorno dos dois aos cargos.
Na sequência, o presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, suspendeu decisões de Moraes e Dino relacionadas ao caso e manteve Andrei Rodrigues no comando da PF.
No manifesto, os superintendentes que assinaram o documento afirmam confiar na condução de Andrei e Leandro. O texto classifica como “inegociável” a defesa da autonomia da Polícia Federal e sustenta que a corporação precisa recuperar as condições para exercer plenamente suas funções em meio à crise.
