MPF rejeita arquivamento de investigação que levou PF a mirar ex-nora de Lula

O Ministério Público Federal (MPF) rejeitou na semana passada arquivar investigação sobre o caso de corrupção que levou a Polícia Federal (PF) a cumprir mandados contra Carla Ariane Trindade, ex-nora de Lula (PT), por suspeitas de lobby no governo petista. A informação é da revista Veja.

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A apuração está relacionada à “Operação Coffee Break”, que investiga um esquema de desvio de recursos públicos envolvendo a comercialização de kits de robótica para municípios de São Paulo. Entre os alvos estão o empresário André Gonçalves Mariano, proprietário da Life Tecnologia Educacional, e Kalil, um dos irmãos Bittar.

Uma decisão recente do STJ, divulgada pelo SBT, revelou que a operação policial teria sido vazada em Brasília antes do cumprimento dos mandados. Conforme o inquérito obtido pelo jornal, investigadores identificaram uma intensa troca de mensagens às vésperas da ofensiva da PF. A movimentação teria levado investigados a apagar conteúdos considerados sensíveis dos celulares e permitido que um dos alvos deixasse o local antes de ser preso.

“Tais fatos são robustecidos pela circunstância de que Marin (ex-secretário de uma das prefeituras citadas no esquema) não foi localizado nos endereços previamente identificados, com indícios de abandono e retirada às pressas de pertences, tendo permanecido foragido até a concessão da ordem para a expedição de contramandado de prisão”, diz o documento do STJ.

As informações reunidas pela PF permanecem sob sigilo. O conteúdo também provoca apreensão no entorno do presidente Lula diante da possibilidade de novas revelações envolvendo pessoas próximas ao chefe do Executivo. Segundo a Veja, há receio “de que a revelação das conversas da ex-nora do presidente gere estragos eleitorais ao mandatário”.

A decisão do MPF ocorreu depois de uma proposta inicial de arquivamento na esfera cível. O órgão optou por manter o procedimento aberto para acompanhar o avanço da investigação criminal, inclusive diante da possibilidade de surgirem candidatos a delação, e utilizar as provas obtidas pela PF na análise de eventuais responsabilidades por improbidade administrativa.

Com a decisão, a apuração permanece em andamento enquanto são concluídas as perícias e avaliados os desdobramentos das ações penais. A manutenção do procedimento permitirá que eventuais responsabilidades sejam analisadas a partir das provas reunidas durante a investigação.



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