Vorcaro diz ter recebido ameaça de concorrente antes prisão

O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou ter recebido, cerca de um ano antes de sua prisão, um alerta de um concorrente para que abandonasse o mercado financeiro. Segundo o banqueiro, a mensagem teria se tornado mais grave em um segundo contato, quando ouviu que deveria ser “queimado vivo em praça pública”.

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O relato foi apresentado durante depoimento sigiloso ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Vorcaro não revelou a identidade do concorrente.

Segundo o banqueiro, o primeiro contato ocorreu em tom de recomendação para que ele deixasse o setor. Depois, teria recebido uma mensagem mais contundente.

“Naquele momento, inclusive, eu concordei com isso; mas depois ele voltou novamente e disse que os demais tinham entendido que o ideal era… as palavras eram que eu fosse queimado vivo em praça pública, para que se mudem as regras e que não haja a possibilidade, inclusive, de haver o nascimento de outras instituições nos próximos anos, que é o que aconteceu.”

Vorcaro relacionou a ameaça ao ambiente regulatório do sistema financeiro. Na avaliação dele, mudanças implementadas nos últimos anos dificultaram a entrada de novos bancos e fintechs no mercado.

“É impossível que se tenha um novo banco no Brasil nos próximos 15, 20 anos, com as mudanças regulatórias que foram feitas, inclusive com narrativa inversa, narrativa de segurança, narrativa de segurança do mercado.”

Tentativa de preservar o banco

O ex-controlador do Master afirmou que, após os episódios, passou a buscar alternativas para proteger a instituição. Entre as medidas citadas por ele estão aproximações com autoridades e a tentativa de venda do banco ao BRB.

Vorcaro reconheceu que cometeu erros durante esse processo e afirmou que chegou a ceder a pressões para tentar preservar a instituição.

“Porque eu cedi a pressões, cedi a instruções, cedi. Quando eu digo isso, o relato aqui não é, de novo, não é me colocando de vítima.”

O Banco Master acabou liquidado pelo Banco Central (BC) em novembro, no contexto da Operação Compliance Zero, que também levou à prisão de Vorcaro.

As ameaças relatadas pelo banqueiro não foram acompanhadas, no depoimento, pela identificação do suposto autor ou por elementos que permitam confirmar imediatamente o episódio.



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