O ‘acordão’ de Lula com Motta e Alcolumbre para tentar se salvar

O presidente Lula (PT) e os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), fecharam ontem (26) acordo para acelerar a votação de projetos de interesse do governo no Congresso. O acerto prevê a análise, na próxima semana, de propostas que podem reforçar a campanha do petista pela reeleição.

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O “acordão” foi costurado em meio à reaproximação entre o Planalto e os comandos das duas Casas. Para Lula, a prioridade é destravar propostas com “apelo popular” antes da eleição. Motta e Alcolumbre também buscam o apoio político do governo para seus próprios projetos de poder no Congresso e nas eleições deste ano.

O pacote será analisado durante o esforço concentrado do Congresso, de 31 de agosto a 4 de setembro. Estão na lista: a PEC do fim da escala 6×1, a PEC da Segurança Pública, a MP que acaba com a “taxa das blusinhas”, o Marco Legal dos Minerais Críticos e a criação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, o Redata.

A MP que prevê o fim da “taxa das blusinhas” terá tramitação mais rápida. A comissão mista que analisará o texto deve ser instalada na próxima semana, com o objetivo de levar a proposta aos plenários da Câmara e do Senado. Já as propostas sobre o fim da escala 6×1 e a Segurança Pública serão analisadas pela CCJ do Senado. Ainda não há garantia de votação dos textos no plenário na próxima semana.

A aproximação entre Lula e Alcolumbre ganhou força após mais de três meses de afastamento. Os dois ficaram sem dialogar depois que o Senado rejeitou, em abril, a indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Um jantar na casa do ministro Alexandre de Moraes os reuniu novamente.

A reaproximação ganhou força no início deste mês e passou a envolver interesses de ambos os lados: a agenda do governo no Congresso, os apoios eleitorais de Lula no Amapá e a tentativa de Alcolumbre de permanecer à frente do Senado em 2027.

Já Motta também se aproximou de Lula durante o período de distanciamento entre o petista e Alcolumbre. De olho na recondução à presidência da Câmara em 2027, o deputado conta com o apoio do PT e do governo e já declarou que apoia a reeleição de Lula.

O presidente da Câmara também atua para eleger o pai, Nabor Wanderley (Republicanos-PB), ao Senado neste ano, e a aproximação com o Executivo petista pode ajudar.

Para Lula, o “acordão” ocorre em um momento de forte pressão eleitoral. Pesquisas recentes apontam uma disputa acirrada pela Presidência entre o petista e o senador Flávio Bolsonaro (PL), enquanto a avaliação positiva do governo perdeu força e a negativa só aumenta.

As repercussões do caso de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, vêm afetando Lula, além dos problemas de segurança pública e dos preços altos enfrentados pelos brasileiros. O empresário, filho do petista, é investigado em três inquéritos no STF por corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influência.



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