Missão da PF aos EUA coincide com fraude em registros de Filipe Martins

Em entrevista ao programa ALive nesta quarta-feira (26), o advogado Ricardo Scheiffer, que defende Filipe G. Martins, afirmou que uma missão da Polícia Federal (PF) nos Estados Unidos coincide com o período em que ocorreu a fraude no registro migratório usado para prender o ex-assessor de Jair Bolsonaro (PL).

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A Justiça dos EUA reconheceu como falso um documento criado pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) que registrava a entrada de Martins no país em 30 de dezembro de 2022. O dado foi posteriormente utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como fundamento para a prisão preventiva do ex-assessor, em 2024.

“Houve um deslocamento de uma equipe da Polícia Federal, liderada pelo delegado Fábio Shor [ligado a Moraes], aos Estados Unidos, para Orlando [e Nova York], para investigar, supostamente, a história das joias e das vacinas, inclusive inquéritos que foram arquivados”, começou a explicação.

O período coincide, de acordo com Scheiffer, com o falso registro migratório americano I-94 atribuído a Martins: “Aí foi quando a gente começou a ligar esses pontos, e aqui começa a história a ficar estranha”.

“Nós temos prova disso, e isso foi utilizado no processo americano, inclusive, pra que nós pudéssemos dar base nesse processo e demonstrar que houve, no mínimo, uma manipulação do sistema migratório americano com a finalidade de manter Felipe preso”, completou o advogado.

Ainda de acordo com ele, essa é a principal coincidência, “mas existem outras coincidências”: “Algumas coincidências de nomes de agentes que estavam lotados em certas agências nos Estados Unidos, foram deslocados para outros locais, foram ou voltaram dos Estados Unidos pro Brasil, ou até mesmo foram aposentados de suas funções quando isso tudo foi descoberto e levado pela defesa a público”.

Fábio Alvarez Shor atuou em inquéritos relacionados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e pediu a prisão preventiva de Filipe Martins. Atualmente, o delegado é assessor no gabinete de Alexandre de Moraes no Supremo.

O juiz Gregory A. Presnell determinou que as autoridades norte-americanas apresentem documentos capazes de identificar quem inseriu o registro e como o dado falso foi criado. Em audiência realizada em março, o magistrado afirmou que a falsidade do documento não era mais motivo de controvérsia, já que o próprio governo dos Estados Unidos havia reconhecido o erro.

Presnell também criticou a resistência das autoridades norte-americanas em fornecer informações sobre a origem do registro. O juiz afirmou que houve “um registro falso feito nos sistemas da Patrulha de Fronteira que afetou uma pessoa de forma considerável”. Segundo ele, o governo reconheceu tanto a falsidade quanto a gravidade do episódio.

O magistrado destacou ainda que Martins foi “preso em decorrência” do registro incorreto e, por isso, teria direito de saber como o dado foi produzido e quem participou de sua inserção.

Foto: Reprodução/YouTube @ClaudioDantasOficial

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