Os Houthis do Iêmen, grupo aliado ao Irã, anunciaram nesta segunda-feira (20) a imposição de um bloqueio naval contra a Arábia Saudita.
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Em comunicado, as forças armadas Houthis declararam “um embargo marítimo contra o inimigo saudita criminoso, com base na lógica de ‘olho por olho’, com efeito imediato…”.
O grupo afirmou que a medida é uma resposta ao que classificou como um “cerco injusto e opressor” imposto pela Arábia Saudita ao Iêmen.
A decisão amplia as tensões no Oriente Médio e cria um novo foco de preocupação para o mercado internacional de energia. Caso o Estreito de Bab el-Mandeb seja totalmente bloqueado, a oferta global de petróleo poderá cair cerca de 7%, comprometendo grande parte das exportações sauditas que passam pela região. A interrupção se somaria à redução de aproximadamente 10% dos fluxos globais de petróleo já provocada pela guerra no Golfo.
Antes do anúncio, o Irã vinha pressionando os Houthis a fechar o estreito caso os Estados Unidos mantivessem ataques contra a infraestrutura energética iraniana.
Até o momento, a Arábia Saudita não havia se manifestado sobre o bloqueio anunciado pelo grupo iemenita.
O anúncio ocorreu em meio a novas tentativas de negociação para interromper a escalada do conflito. Segundo uma autoridade iraniana ouvida pela Reuters, Teerã recebeu uma proposta apresentada por mediadores para um cessar-fogo de dez dias, com o objetivo de preservar o acordo provisório firmado no mês passado e abrir caminho para uma solução mais ampla para a guerra iniciada em 28 de fevereiro.
Após a notícia do bloqueio e das novas interrupções na navegação pelo Estreito de Ormuz, o preço do petróleo chegou a ultrapassar US$ 90 por barril nesta segunda-feira. As cotações recuaram parcialmente depois que o Ministério das Relações Exteriores do Irã informou que continua recebendo propostas de mediação, indicando que os contatos diplomáticos permanecem em andamento.
Paralelamente, duas fontes do governo do Paquistão informaram que o ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni, solicitou que Islamabad retomasse seu papel de mediador entre Teerã e Washington. A movimentação diplomática ocorre após a Guarda Revolucionária do Irã afirmar ter atacado instalações militares dos Estados Unidos na região, em resposta a uma nova rodada de bombardeios americanos contra cidades iranianas.